eu sei como dói.
sei que dói e não é de agora.
sei que você já
suportou muito e tanto, que às vezes se pergunta “tô suportando tudo
isso pra quê?”, porque dentro de ti, já não faz mais sentido.
mesmo que ora ou outra aquela chama ainda acesa (porém pequena) de esperança em alguma coisa mostra que ainda existe
[a gente nem sempre tem esperança na melhora,
às vezes é só num dia melhor,
num momento bom,
às vezes ela aparece naquele riso inesperado,
naquela palavra amiga,
naquele conforto velado,
naquele texto que parece que nos lê ou que foi escrito por mãos parecidas com as nossas de tão parecido com a gente que é,
naquela música que nos acalma, que nos abraça quando ninguém mais faz isso,
naquele pôr do sol que vemos quando lembramos que basta olhar pro céu pra vermos algo novo e bonito].
eu
sei que é difícil viver com um parasita dentro da gente que nos faz ver
a vida de um jeito distorcido e te faz querer fugir de tudo, mesmo que a
dor esteja em você.
e eu sei, eu sei que você chora muito que tem
dias que quer chorar e não consegue mais, como se as lágrimas tivessem
acabado, o que dói mais do que chorar descontroladamente.
eu sei que
deitar a cabeça no travesseiro à noite não te dá sossego, sei que o
monstro que te atormenta vem com mais frequência nesse horário e não te
deixa dormir, não te dá paz.
sei que as outras pessoas não parecem
confiáveis, que o mundo não parece mais mundo, é só um lugar que você
está e não quer estar.
eu sei como às vezes parece que o universo quer que a gente desista.
e desistir é tão mais fácil, né? é tão mais fácil só pôr um fim,
mas você é tão forte por não desistir, eu juro pra você que vejo tua força exalando de você até mesmo quando tu chora.
tu não é fraco, tu não é só uma tristeza, tu não é só uma decepção.
tu é tantas & tantas coisas boas, feito até do que ainda não tem nome mas é tão bom te ter no mundo.
eu sei, assim como muita gente sabe, porque eu juro pra você que: tu nunca está sozinho, a tua dor faz parte da nossa.
e o mundo não é horrível como parece, as situações que são.
nem todas as pessoas são as mesmas que te machucaram.
e nenhuma dor dura pra sempre. a sua pode estar durando muito, mas ela vai terminar, você mesmo vai acabar com ela.
não permita que a dor acabe com você,
porque
meu bem, a sua batalha está perdurando tanto porque tu é mais forte que
ela, não é você quem está desistindo, é você quem está persistindo
(mesmo que dentro de você haja um sentimento de derrota, é a sua
auto-destruição que não deixa você ver o quão guerreiro tu é, mas toda
vez que te vejo vivo, te vejo um vitorioso).
você é mais real do que
essa dor que se alojou dentro de você e se espalhou por todos os cantos
do teu ser, porque ela PRECISA de você pra existir, VOCÊ NÃO PRECISA DA
DOR PRA EXISTIR.
eu tenho fé em você, eu acredito na tua batalha.
tudo bem perder lutas diárias, mas não desista de você.
- Via Desbotando Tumblr
Mestre em disfarce
Nem sempre a dor é aparente. “A gente se torna mestre em
disfarce, porque na verdade quando as pessoas perguntam se tá tudo bem,
elas não querem saber se tá bem ou não realmente”, comenta a escritora.
Seu diagnóstico foi feito ao consultar um psiquiatra antes de uma
cirurgia. “Começa por aí, tu nem sabe que tem a doença. A pessoa com
depressão tem momentos bons, momentos felizes, mas na maior parte do
tempo é uma angústia, um sofrimento que não dá pra explicar”, relata. A
primeira tentativa de tirar a vida ocorreu em 2012. “Quando eu tentei,
não deu certo, eu me apavorei e fui para o médico. Disse para a minha
mãe que tinha tomado medicamento para dor, uma dose a mais, e ela não
soube que era uma tentativa de suicídio”, conta.
Depois disso, no mesmo ano, ela foi ficou internada em uma clínica por 29 dias, recebendo atenção adequada e cumprindo o tratamento. Em 2015, houve nova tentativa, desta vez no trabalho. “O sentimento que eu tinha era de desesperança, de que nada ia melhorar e que, se é pra ser assim, não tem razão continuar aqui.”
Ela chegou a ser xingada por um psiquiatra durante o atendimento. “Ele perguntou por que eu não tinha me jogado de um prédio, se queria morrer”, lembra. Hoje, mesmo recebendo ajuda, sente a questão do suicídio presente, mas afirma que poder compartilhar o que sente tem trazido um alívio. “Eu vejo que hoje eu consigo falar muito sobre isso, porque percebi que quando começo a falar e a pessoa ouve sem julgar, eu me sinto amparada”, diz.
Depois disso, no mesmo ano, ela foi ficou internada em uma clínica por 29 dias, recebendo atenção adequada e cumprindo o tratamento. Em 2015, houve nova tentativa, desta vez no trabalho. “O sentimento que eu tinha era de desesperança, de que nada ia melhorar e que, se é pra ser assim, não tem razão continuar aqui.”
Ela chegou a ser xingada por um psiquiatra durante o atendimento. “Ele perguntou por que eu não tinha me jogado de um prédio, se queria morrer”, lembra. Hoje, mesmo recebendo ajuda, sente a questão do suicídio presente, mas afirma que poder compartilhar o que sente tem trazido um alívio. “Eu vejo que hoje eu consigo falar muito sobre isso, porque percebi que quando começo a falar e a pessoa ouve sem julgar, eu me sinto amparada”, diz.





