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domingo, 23 de agosto de 2020

Como ajudar alguém que sofre de ideações suicidas? Por Tiago Zortea

"[Alerta: este texto possui conteúdo sobre temas perturbadores. Caso você não se sinta emocionalmente bem para lê-lo, recomendamos que o faça quando se sentir melhor].

A expressão “precisamos falar sobre suicídio” tem se propagado pelas mídias sociais, contribuindo para que o tema saia do status de “tabu” e entre na lista das questões sociais que precisam ser tratadas com seriedade. Há implicações decorrentes do falar sobre suicídio, no entanto. Surgem dúvidas sobre o que falar, o que não falar, e – principalmente – como abordar o tema quando alguém próximo sofre de ideações suicidas. Algumas direções sobre o que é apropriado e inapropriado em mídias sociais podem ser conferidas no texto “Suicídio, Mídia, e Epidemia”. No presente texto, introduziremos alguns princípios básicos de como iniciar e conduzir uma conversa difícil sobre ideações suicidas. Para isso, precisamos entender um pouco sobre o comportamento suicida a fim de identificar possíveis sinais que nos permitam iniciar a conversa.

Ideações suicidas: o que perceber?
Popularmente associam-se ideações suicidas à depressão. De fato há uma associação forte entre esses dois fatores. No entanto, não há concordância entre os pesquisadores sobre o quanto a depressão explica a emergência de ideações suicidas, uma vez que a depressão é também efeito de outras variáveis. Há também casos de ideações e tentativas de suicídio com os quais a depressão não está associada [1]. De todo modo, notamos uma alteração no humor da pessoa, e o porquê desta alteração está geralmente associada às circunstâncias de sua vida. Diversos estudos têm mostrado que a formação de ideações suicidas está relacionada ao surgimento de pensamentos e sentimentos de fracasso na vida, derrota (e.g., a pessoa lutou o máximo que pôde e não obteve sucesso no que almejava), desesperança (e.g., não consegue visualizar boas perspectivas de futuro em nenhum aspecto – resultado do fracasso), e aprisionamento (e.g., sente que não há mais saída nem solução para o contexto vivido) [2].

Esses sentimentos e pensamentos poderão ser identificados através de frases (ou variações de tais frases) como:

“Eu não consigo mais ver sentido nenhum na minha vida”
“Não vejo mais nenhuma saída para mim”
“Eu quero sumir desse mundo”
“Se eu pudesse, eu dormiria para nunca mais acordar”
“A minha vida não tem mais jeito”
“Eu não deveria ter nascido”

Em geral, a expressão verbal da visão negativa não se restringe a um problema particular, mas é generalizada para todas as dimensões da vida da pessoa que sofre de ideações suicidas. Um exemplo seria uma pessoa que tem dificuldades para encontrar relacionamentos e está à procura de uma relação estável há muitos anos, mas não obtém sucesso em encontrar. Por mais que sua vida profissional seja de imenso sucesso, haverá uma tendência de a pessoa generalizar o problema para todas as outras áreas da vida, ainda que tal expressão verbal não coincida com o que de fato acontece. Isso se dá devido ao processo psicológico de aprisionamento, cuja percepção (discriminação) torna-se extremamente restrita como efeito das inúmeras experiências de derrota, inflexibilidade psicológica e pobre repertório comportamental de enfrentamento. O sofrimento é intenso e terrível. A pessoa precisa ser ajudada.

Como iniciar uma conversa?
Antes de iniciar uma conversa, é necessário estar ciente de posturas fundamentais que serão base de qualquer interação com quem sofre: respeito, empatia, conexão, compartilhamento e disponibilidade. Caso estas posturas estejam ausentes, o efeito da conversa poderá ser oposto e, ao invés de ajudar, é bem possível que o resultado será a intensificação do sofrimento e aumento do risco de suicídio.

Se alguém pedir para conversar, a interação se iniciará de modo mais fácil. No entanto, se você está preocupado com a saúde mental de alguém, então você terá de abordar a pessoa para iniciar a conversa. Perguntas que iniciam a interação envolvem, por exemplo:

“Olá, como você está?”
“Como estão as coisas contigo?”
“O que você tem feito ultimamente?”
“Eu tenho notado que você não tem se sentido bem recentemente, e eu queria saber se você gostaria de conversar sobre isso”.

Se disser que não quer conversar, que está tudo bem, ou outra resposta que interrompa ou modifique a direção da abordagem, é importante dizer que está tudo bem e, de certa forma, deixar “a porta aberta” para futuras conversas. Caso a pessoa responda positivamente, a conversa então evoluirá para tópicos mais sensíveis e alguns pontos importantes devem ser destacados:

Tente encontrar um lugar mais quieto e reservado para conversar.
Sendo amigo, parente ou conhecido, sua função é ouvir ativamente.
Evite falar sobre você. Reserve outro momento para compartilhar suas questões.
Não tente resolver os problemas da pessoa. Se assim o fizer, há chances de que você aumente a intensidade dos sentimentos de aprisionamento vividos por ela.


Como fazer perguntas e prosseguir com a conversa?
Faça perguntas abertas. Evite perguntas cuja resposta se resuma a “sim” ou “não”. É importante que suas perguntas funcionem como um mecanismo que incentive, de forma respeitosa e não invasiva, a pessoa a falar sobre o que está vivendo e sentindo. Alguns exemplos são: “Quando você percebeu que isso estava acontecendo?”, “O que mais aconteceu?”, “Em que lugar isso aconteceu?”, “Como você se sentiu?”, “Que coisas se passaram na sua cabeça naquele momento?”. [3]

Não pergunte “Por que”. Perguntar sobre o porquê soa muito crítico (a pessoa pode se sentir julgada por você), e pode produzir dois efeitos: a pessoa não se sentirá compreendida e tenderá a reagir de modo defensivo, além de fazer com que a conversa se interrompa, já que a pessoa não se sentirá mais confortável em falar o que se passa.

O que deve ser evitado:
Reações de surpresa, choque ou susto. Algumas expressões verbais que exemplificam tal reação incluem: “Meu Deus!”, “Não acredito que você está me dizendo isso!”, “Vira essa boca pra lá!”.
Reações que rechacem a pessoa, seus sentimentos e comportamentos: “Pare de falar besteira!”, “Para quê você fica falando essas coisas?”.
Expressões de incompreensão através de verbalizações supostamente positivas: “Não entendo isso. Você sempre teve tudo na vida”; “Olhe para as coisas boas da vida”, “Você precisa pensar positivo”. Vale ressaltar aqui que “pensamento positivo” não se caracteriza em si como fator protetor contra ideações suicidas. De fato, há evidências de que determinados “pensamentos positivos” podem contribuir para a recorrência de comportamentos suicidas [4].
Outras expressões a serem evitadas são: “Não chore!”, “Isso não faz sentido nenhum”, “Eu entendo perfeitamente como você está se sentindo”, “Será que podemos conversar de modo mais rápido?”, “Seja forte!”, “Levante a cabeça!”.
Intervenções de cunho religioso: “Você precisa é de Deus!”, “Isso é coisa do inimigo na sua vida”, “Deus sabe de todas as coisas e ele vai te ajudar”, “Isso é falta de fé. Você precisa ter mais fé em Deus”.
Evite fazer qualquer tipo de interpretação do que está se passando na vida da pessoa. Como alguém que dá suporte, não é sua função fornecer interpretações nem formular explicações sobre as circunstâncias de vida da pessoa. Se você quer ajudar, por melhores que sejam suas intenções, apenas ouça e incentive a pessoa a falar.

 Como ouvir ativamente?
Há cinco passos para se ouvir ativamente [3]:

Faça questões abertas (como visto anteriormente)
Resumir. Resumir um determinado trecho da conversa demonstra que a pessoa tem sua plena atenção e que você está entendendo o que está sendo dito. Exemplo: “Entendo. Você está sendo tratado terrivelmente pela sua esposa, mas você ainda a ama”.
Refletir. Repetir uma palavra ou uma frase pode encorajar a pessoa a continuar a se abrir. Por exemplo, se a pessoa disser “As coisas estão muito difíceis recentemente”, você pode manter a continuação da conversa refletindo sobre esta frase e dizendo “Eu sinto que você tem vivido momentos muito difíceis”.
Clarificar. Se a pessoa com quem você está conversando passar por cima de algum ponto importante, você pode dizer algo como “perdão, você poderia me falar mais sobre…” ou “esse parece um tópico difícil para você”. Isso pode ajudar a esclarecer alguns pontos não só para você, mas também para a própria pessoa.
Reagir. Não ouça como um robô. Demonstre empatia, respeito, e demonstre que você está ouvindo atentamente o que está sendo dito.


Como abordar a questão do suicídio?
Se você suspeita que a pessoa está vivenciando ideações suicidas, simplesmente pergunte: “você está vivenciando sentimentos suicidas?”.
Se a resposta for sim, continue a conversa pedindo por mais informações sobre esses sentimentos. Exemplo:
“Quando você vivenciou sentimentos suicidas pela primeira vez?”,
“O que você acha que está fazendo você se sentir assim?”,
“Você já conversou com alguém sobre esses sentimentos?”
“Você sabe onde e como buscar por ajuda?”
Depois dessas questões, é importante ajudar a pessoa a buscar por ajuda e mantê-la segura. Encoraje a pessoa a marcar uma consulta com um psiquiatra ou um psicólogo. Se ofereça para ir com ela.
Se a pessoa possui um plano suicida imediato (planejou como acabar com a própria vida) e afirma que está certa de que irá fazê-lo, não deixe a pessoa sozinha. Busque por ajuda imediatamente ligando para um médico, levando a pessoa a um serviço de saúde mental ou pedindo orientações ao Centro de Valorização da Vida, no telefone 141. Esteja certo de que a pessoa está em um ambiente seguro e sob suporte profissional.
Conte para alguém que você confia. Lidar com suicídio é uma experiência extremamente difícil e você não deve fazer isto sozinho. Encontre alguém da sua confiança para que você possa falar dos seus próprios sentimentos.
Ajudar alguém sob situação estressora pode ser estressor em si mesmo. Se você está ajudando alguém que se sente suicida, lembre-se de que você também deve cuidar de si mesmo. Se você precisa conversar sobre como você está se sentindo, ligue para o Centro de Valorização da Vida (141) ou converse com um profissional de saúde mental [5].



*Se você está vivendo um momento muito difícil e se identificou com alguma parte deste texto, converse agora com um profissional do CVV (Centro de Valorização da Vida) através do telefone 141 ou via internet (chat, Skype ou email) através do site: http://www.cvv.org.br/site/index.php. Os profissionais desta ONG (uma das mais antigas e reconhecidas instituições no país) estão disponíveis 24 horas para ajudar e acolher".



Referências:
[1] Joo, J., Hwang, S., & Gallo, J. J. (2016). Death ideation and suicidal ideation in a community sample who do not meet criteria for major depression. Crisis, 37(2), 161–165.

[2] O’Connor, R. C., & Nock, M. K. (2014). The psychology of suicidal behaviour. The Lancet Psychiatry, 1(1), 73–85.

[3] NHS Scotland (2015). The art of conversation. Choose Life.

[4] O’Connor, R.C., Smyth, R., & Williams, J.M.G. (2015). Intrapersonal positive future thinking predicts repeat suicide attempts in hospital treated suicide attempters.  Journal of Consulting and Clinical Psychology, 83, 169-176.

[5] Samaritans. (2016). What should I do if I know someone who is feeling suicidal?.




domingo, 5 de maio de 2019

"A promessa vazia da prevenção do suicídio"

"Se o suicídio é evitável, por que há tanta gente morrendo assim? É o décimo fator mais comum de óbito nos EUA, e os números não param de subir.
Há alguns anos tratei uma paciente, comissária de voo, que tinha sido levada à unidade de crise psiquiátrica pelo irmão, depois que ele notou seu comportamento anormal em uma festa de casamento: após a cerimônia, ela entregou presentes e cartas emocionadas a seus familiares. E, quando ele a levou para casa, notou que vários móveis e pinturas não estavam mais lá; para completar, encontrou três frascos fechados de remédio para dormir no banheiro.
Resolveu colocá-la contra a parede e ela admitiu ter doado suas coisas para uma instituição de caridade – como também ter esvaziado a conta que seria para a aposentadoria para quitar o financiamento da casa, do carro e todas as contas.
Quando eu a entrevistei, ela confessou que havia quatro meses que fazer qualquer coisa – como comer, limpar a casa ou falar com os vizinhos – lhe exigia um esforço colossal sem lhe dar nenhum prazer. Sentia-se exausta por ter de viver um dia após o outro e a ideia de se manter assim nos (muitos) anos vindouros lhe parecia um tormento intolerável.
Depois de avaliá-la, disse-lhe que estava vivendo um episódio de depressão bipolar e precisava se comprometer a frequentar o hospital durante o tratamento. Ela deu de ombros e uma resposta das mais problemáticas: "Não estou nem aí."
Um dos motivos por que me lembro tão bem dessa mulher é que, de todos os pacientes cujo risco de suicídio já avaliei, ela foi uma anomalia: tinha o propósito contínuo e bem planejado de acabar com a própria vida. Felizmente, foi também o que a revelou, e a família conseguiu agir rápido, colocando-a sob tratamento emergencial. Ela respondeu bem ao lítio, um dos dois medicamentos psiquiátricos que comprovadamente reduzem o risco de suicídio (o outro é um antipsicótico, a clozapina). Aos poucos, a depressão foi amenizando e ela começou a se lembrar das coisas que faziam a vida valer a pena.

Ela era exatamente o tipo de suicida que os psiquiatras estão preparados para ajudar, alguém com uma doença mental não diagnosticada, mas tratável, que precisa apenas ser protegida de si mesma até que a medicação comece a fazer efeito.
A maioria dos pacientes suicidários que atendo segue um padrão diferente, como a que um residente me apresentou recentemente: uma mulher de meia-idade sem histórico psiquiátrico que chegou após ter sofrido uma overdose de ibuprofeno. Ela estava em situação de rua havia pouco tempo. Depois de sete anos de sobriedade, tivera uma recaída, tomando metanfetamina para conseguir ficar acordada à noite após ter sido atacada sexualmente no parque onde dormia. Não tinha família com que contar, nem seguro, nem fonte de renda e nem escolaridade além do ensino médio.
Ela não via saída para sua situação; assim, entrou em uma farmácia, pegou um frasco de ibuprofeno e foi ao banheiro, onde engoliu o maior número possível de comprimidos antes que alguém entrasse.
Perguntei ao residente como ele planejava ajudá-la enquanto estivesse no hospital; depois de uma pausa, sugeriu, hesitante: "Entrar com antidepressivos?" Dava para perceber que ele sabia quanto a solução era ridícula.

Como médicos, queremos ajudar o público, e é difícil admitir que nossos meios são limitados. Os antidepressivos parecem uma solução óbvia, mas apenas de 40 a 60% dos pacientes que os tomam se sentem melhor – e, embora quase 10% da população inteira do país os consumam, são mínimas as evidências convincentes de que reduzam o número de suicídios.
Isso porque muitos dos problemas que levam a pessoa a tirar a própria vida não podem ser solucionados com uma dose extra de serotonina; antidepressivo não oferece emprego ou moradia acessível, não conserta relacionamentos falidos nem resulta em sobriedade.
A prevenção do suicídio também é complicada porque raramente a família tem ideia de que aquela pessoa que ama está prestes a tentar se matar; aliás, geralmente, ela mesma não se conhece. O planejamento meticuloso da comissária é raro; muito mais comum é pegar o que quer que esteja à mão no momento do desespero.
Segundo uma análise de 2016, quase metade das pessoas que tenta se matar o faz por impulso; outro estudo, de 2001, que entrevistou sobreviventes de tentativas quase letais (definidas como aquelas que teriam acabado em morte se não fosse uma intervenção médica emergencial, ou qualquer uma que envolva uso de armas), concluiu que cerca de 25% levaram menos de cinco minutos para pensar no que estavam prestes a fazer – o que não dá muito tempo para alguém perceber algo errado e intervir.
Apesar disso, os profissionais da saúde mental perpetuam a narrativa de que o suicídio é evitável, basta que pacientes e familiares sigam os passos certos. As campanhas estimulam as pessoas a superar o estigma, falar com alguém ou ligar para aquela linha especial dão a entender que a ajuda está disponível, basta buscá-la.
Só que não é fácil assim. A assistência psiquiátrica de qualidade para pacientes não internados é difícil de achar, de difícil acesso e extremamente custosa. A internação é reservada para os casos mais graves – e mesmo para eles não há leitos suficientes. Iniciativas como linhas telefônicas especiais à disposição e campanhas para vencer o preconceito se concentram em abrir mais oportunidades para os serviços de saúde mental, mas podem se comparar à abertura de portas em um prédio vazio.

Mas há, sim, algumas coisas que podemos fazer para impedir o suicídio – e uma das estratégias mais que comprovadas é a restrição de acesso a armas letais, de modo que, quando a pessoa cai em desespero, há grandes chances de que qualquer tentativa não seja fatal. Se minha primeira paciente tivesse uma arma em casa, certamente não teria chegado até mim; se minha segunda paciente tivesse pegado paracetamol em vez de ibuprofeno, provavelmente também não. Impedir a morte naquele momento impulsivo de desespero é crucial no sucesso da redução. Ao contrário da opinião popular, somente uma porção pequena de pessoas que sobreviveram a uma tentativa séria de suicídio tenta novamente por outros meios.
A pessoa chega à decisão de deixar de viver por vários caminhos diferentes, algumas ao longo de vários meses, mas muitas em questão de minutos; essas não serão interceptadas pelo sistema de saúde mental. Sem dúvida, precisamos de mais serviços psiquiátricos e mais pesquisa para oferecermos tratamentos melhores, mais rápidos e eficientes para a depressão severa e os pensamentos suicidas, mas isso nunca será o suficiente.
Temos de agir em cima das causas do problema do suicídio no nosso país, ou seja, a pobreza, a falta de moradia e a consequente exposição ao trauma, à criminalidade, às drogas. Isso significa melhores tratamentos para o alcoolismo e os entorpecentes, terapia familiar, recursos para moradia de baixa renda, capacitação profissional e terapia individual. E, para aqueles que correm perigo e passam batido por todos os sinais de alerta, é essencial que não tenham acesso a armas ou medicações letais.
Se ignorarmos tudo isso e insistirmos no discurso que prega uma solução simples à mão, as famílias das vítimas do suicídio vão ficar eternamente questionando onde falharam, o que fizeram de errado".

- Amy Barnhorst é vice-diretora da cadeira de psiquiatria comunitária da Universidade da Califórnia, em Davis."





domingo, 7 de outubro de 2018

Quatro maneiras de falar sobre suicídio na escola

Casos recentes acenderam um alerta entre educadores e pais, por isso a pauta é urgente e precisa fazer parte do cotidiano escolar.

A divulgação de casos recentes de suicídio entre alunos de escolas particulares de São Paulo deixou em alerta pais, educadores e adolescentes. E os números são alarmantes: entre 2000 e 2015 os suicídios aumentaram 65% entre pessoas com idade de 10 a 14 anos, e 45% entre adolescentes de 15 a 19 anos, tornando-se a segunda causa de morte desta faixa-etária. Os dados recém-divulgados são do Mapa da Violência 2017, publicado anualmente a partir de indicadores do Ministério da Saúde.

Jovens e adolescentes são também o principal grupo de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais, principalmente depressão. Segundo relatório da federação de empresas de seguro de saúde dos Estados Unidos, desde 2013 as taxas de depressão aumentaram 65% entre meninas adolescentes e 47% entre meninos.

As explicações para isso são muitas, como esclarece a psicóloga Alessandra Xavier, da Universidade Estadual do Ceará (UECE). “A adolescência é um período peculiar em que se está construindo uma série de referências profissionais, sociais, de vínculos e orientação sexual. Também são constantes as mudanças no corpo, na rede de amizades e na autoestima”.

Soma-se tudo isso às pressões dos pais e da escola para ingresso no ensino superior e à cultura do consumo e narcisismo, escancarada pelas redes sociais. Assim, segundo a psicóloga, muitos adolescentes acreditam que dar fim a própria vida é solução ou, no mínimo, um ato impulsivo de expressão do descontentamento com a realidade.

“A verdade é que somos todos muito despreparados para lidar com mudanças e angústias. Ficamos vulneráveis a qualquer experiência de dor e sofrimento”, define Alessandra, que articula uma série de ações junto ao ministério público do Estado do Ceará para prevenção do suicídio entre jovens e adolescentes.

Precisamos falar sobre isso
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio podem ser evitados através de ações de prevenção.
É por isso que a escola, espaço no qual crianças e adolescentes vivem grande parte de suas vidas, precisa falar sobre suicídio e outros potenciais desencadeadores, como bullying, depressão, abuso de drogas e violência doméstica. De preferência, de maneira constante para que se desmistifique o tabu que ronda a temática.

Sinais que podem indicar sofrimento psíquico:
  1. Mudança significativa de comportamento ou personalidade (agressividade, irritabilidade, apatia, pessimismo);
  2. Queda brusca de rendimento escolar;
  3. Isolamento, baixa autoestima, excesso de ansiedade;
  4. Abuso de álcool e/ou drogas;
  5. Histórico de transtorno mental (esquizofrenia, bipolaridade ou depressão);
  6. Desejo súbito de concluir ou organizar coisas e deixar mensagens aos amigos e parentes.


O trabalho pedagógico deve envolver os pais e agentes da saúde, levar em conta o contexto de vida de cada aluno e se concentrar em atividades que promovam a interação, o acolhimento socioemocional e a criação de uma cultura da paz. A seguir, confira quatro ações que podem começar a ser implementadas desde já.


  • Valorização do grupo

Promover jogos ou dinâmicas que propiciem o Desenvolvimento de competências socioemocionais. “As rodas de conversas diversa mediadas por um psicólogo ou professor capacitado funcionam bem”, indica Sheila Cavalcante, psiquiatra da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Unifesp.
Usando como premissas o respeito à diversidade de opinião e o incentivo ao diálogo, o mediador coloca em pauta temas pertinentes e dá direito a voz e ouvidos a todo o grupo, responsável pela construção de um conhecimento coletivo.

  • Promoção do autoconhecimento

Nem sempre é tão fácil reconhecer aquilo o que se está sentindo. Por isso, a escola pode fornecer informações e uma educação integral que ajude crianças e adolescentes a identificar seus estados emocionais e expressá-los de modo a pedir ajuda. Este é, inclusive, um dos pilares do Programa Cuca Legal, que desenvolve estratégias de melhoria da saúde mental por meio de trabalho científico e educativo.

  • Pedagogia da presença

A escola pode investir na capacitação de profissionais, que podem ser tanto professores como funcionários, para se aproximar dos estudantes de modo a construir vínculos e identificar traços de sofrimento psíquico.
“Uma boa maneira de começar a se mostrar mais disponível e acolhedor é pedir que eles escrevam cartas anônimas sobre sonhos, aspirações e incertezas sobre o futuro”, aconselha a psiquiatra da Unifesp. Aqui você encontra mais dicas de como implementar a pedagogia da presença.

  • Artes e abordagem interdisciplinar

A arte é uma das melhores maneiras de expressas sentimentos, por isso, pode ser mais trabalhada em sala de aula. Além disso, os professores devem se integrar para abordar a temática em suas aulas.
“O professor de História levanta com os alunos os dilemas contemporâneos da humanidade, o de Matemática mostra indicadores de aumento da depressão ou do bullying e aproveita para puxar a discussão em sala. O profissional de aproveita para debater o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe (1749-1832), que traz a temática”, indica Alessandra.

 O que fazer se houve um caso de suicídio ou tentativa? 
“Estudos mostram quando há um caso de suicídio na escola, duas semanas depois haverá uma segunda tentativa se nada for feito”, aponta Sheila Cavalcante, da Unifesp. “Adolescentes podem encarar o ato de tirar a própria vida como uma espécie de heroísmo ou exemplo a ser seguido”, completa.
Como medida de prevenção, a escola deve convocar um especialista para elaborar o luto de toda a turma e das famílias. “As famílias e a escola devem estar prontas para acolher o jovem, dando espaço para que ele expresse sentimentos como tristeza, raiva e culpa sem julgamentos”, diz a especialista.

Apoio 
No Brasil, o principal meio disponível para quem precisa de ajuda é o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação sem fins lucrativos que há 54 anos conta com serviço gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio. O CVV oferece apoio 24 horas pelo telefone 141 e pelo site https://www.cvv.org.br/.

A Sociedade Brasileira de Psiquiatria também disponibiliza gratuitamente um manual completo de prevenção do suicídio.

A lei de combate ao bullying nas escolas, sancionada em maio, altera um trecho da Lei 9.394, de 1996, e amplia as obrigações das escolas no combate à prática.  Além das instituições de ensino, clubes e agremiações têm o dever de desenvolverem medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying.



http://fundacaotelefonica.org.br/noticias/quatro-maneiras-de-falar-sobre-suicidio-na-escola/

domingo, 3 de junho de 2018

10 Coisas para dizer a uma pessoa com intenção de suicídio

"Muitos querem saber o que dizer diante de uma pessoa – quase sempre um conhecido, um amigo ou parente – que está pensando em suicídio e claramente expressa uma vontade de morrer. O que responder?

Primeiro, algumas advertências. Antes de começar, quero esclarecer algumas coisas: criei essa lista com base em minhas conversas com indivíduos suicidas em meu trabalho como assistente social clínico, minhas leituras de literatura clínica e relatos de pessoas que sofreram crises suicidas, e minhas próprias experiências passadas com pensamentos suicidas. Ninguém realmente pesquisou sistematicamente as coisas mais eficazes para os amigos ou familiares dizerem para uma pessoa suicida, então a opinião e a experiência são as melhores que temos por enquanto. Os resultados variam de acordo com as necessidades e personalidades de diferentes pessoas.

Também quero deixar claro que essa lista de coisas a serem mencionadas não pretende ser um roteiro. Em vez disso, ilustro maneiras pelas quais você pode ajudar uma pessoa pensando em se matar a se abrir, em vez de a calar e fazer com que ela se feche com um comentário que diminua, desvalorize e ou até mesmo despreze a experiência da pessoa.

E quero acrescentar, e ressaltar, que o que dizer geralmente não é tão importante quanto ouvir. Alguém que está pensando em suicídio precisa se sentir acolhido e compreendido. Deixe a pessoa contar sua história. Evite tentar imediatamente e de todas as formas consertar a situação ou fazer a pessoa se sentir melhor. Esses esforços, embora bem-intencionados, podem interromper a conversa quando o mais importante é deixar que a pessoa fale.

Então, com tudo isso dito, aqui estão 10 coisas que você pode dizer para alguém que lhe diz que está considerando se matar.

1.     "Fico contente por você me contar que está pensando em suicídio."
Quando alguém revela pensamentos suicidas, alguns pais, companheiros, esposas (os), amigos e outros podem reagir com raiva (“Não seja estúpido! ”), dor (“Como você pode pensar em me machucar assim? ”), ou dúvida (“Não acredito que você esteja falando isso. ”). Alguns “surtam”. A pessoa suicida pode então sentir necessidade de se defender da raiva, ou querer consolar a pessoa magoada, ou se fechar internamente diante da dúvida do outro. O resultado quase sempre é o arrependimento e a frustração por ter compartilhado seus sentimentos com alguém que percebe incapaz de compreendê-la.
Ao dizer “Fico contente por você ter me contado” – ou algo parecido – você diz que aceita e encoraja que o outro se abra e fale de seus pensamentos suicidas e que consegue lidar com isso.

2.     “Eu fico triste por você estar sofrendo assim. ”
Essa simples expressão de empatia pode ajudar muito a valorizar a dor do outro e acalmar a sensação de solidão.

3.     “O que está acontecendo para fazer você querer morrer? ”
 Este convite para a pessoa suicida contar sua história mostra interesse, gera uma sensação de acolhimento e revela que você realmente quer entender. Peça à pessoa para contar sua história. E então, escute. Realmente escute. Para aprofundar sua compreensão, com calma, estimule a pessoa a abrir-se cada vez mais, com colocações tipo "Eu estou aqui para ouvir o que você quiser me contar”.

4.     "Você já tem uma data certa de quando vai se matar?"
Mesmo que você não seja um profissional de saúde mental, ainda pode fazer algumas perguntas básicas para ajudar a entender o risco de suicídio da pessoa. Perguntar sobre o momento em que isso acontecerá fará a diferença entre se você precisa entrar em contato imediatamente com alguém e pedir ajuda (por exemplo, se a pessoa disser: "Estou planejando que amanhã mesmo vou tirar minha vida”) ou se você pode apenas continuar conversando com a pessoa.

5.     “Você tem um plano de como acha que vai se matar? ”
Esta é outra questão de avaliação de risco. A resposta pode ajudar a revelar a gravidade da situação. Uma pessoa que responde que será dentro de pouco tempo e já arquitetou um método de suicídio pode estar em maior perigo do que alguém com um vago desejo de estar morto, por exemplo.
Compreender os métodos de suicídio que a pessoa considerou também irá ajudá-lo em seus esforços para manter a pessoa segura. Por exemplo, se você é um marido e sua esposa revela pensamentos suicidas, saber que ela pode estar considerando uma overdose de um medicamento é um alerta para a necessidade de trancar ou jogar fora todos os medicamentos potencialmente perigosos.

6.     “Você tem acesso fácil a uma arma, medicamento ou algo que possa ser potencialmente mortal?”
Essa pergunta completa a avaliação de risco da pergunta anterior e obter essa informação é sempre muito importante. Se a resposta for sim, peça à pessoa para considerar tornar a casa mais segura livrando-se você mesmo ou pedindo alguém próximo para livrar-se de perigos potenciais até que a intenção de suicídio desapareça.

7.     "Existe ajuda para o que você está sentindo."
Ao falar à pessoa que é possível obter ajuda, você já está ajudando-a a não se sentir tão sozinha, indefesa ou sem esperança. Se a pessoa que revela pensamentos suicidas para você é seu filho, seu marido ou esposa leve-o a um psicólogo para uma avaliação profissional. Da mesma forma indique a necessidade urgente de procurar ajuda profissional para outro que não for assim tão próximo.

8.     “O que posso fazer para ajudar? ”
Definitivamente, fale com a pessoa sobre a necessidade de procurar um psicólogo para ajudá-la, mas também deixe claro que você também está disponível, se for realmente capaz de ter essa disponibilidade emocional. Dito isso, há muito o que você pode fazer, mas se você está se sentindo o único responsável por manter a pessoa viva, a melhor decisão é envolver outras pessoas também.

9.     “Eu gosto e me preocupo com você e ficaria muito triste se você se matasse. ”
Tenha cuidado aqui. No post anterior que publicamos, uma das 10 coisas que não se deve dizer é: “Você não sabe que eu ficaria arrasada se você se matasse? Como você pode pensar em me machucar assim? ” Veja bem, a pessoa já se sente horrível por ter pensamentos suicidas.  Colocar ainda mais culpa em cima dela não vai ajudá-la a se sentir aliviada, compreendida ou bem acolhida para continuar falando.
Mas, por outro lado, uma simples declaração do quanto você se importa de verdade ou a ama pode ajudar a nutrir uma sensação de conexão, se a sua declaração não for uma tentativa de impedir a pessoa de falar mais sobre o suicídio.

10.     “Você pode contar comigo sempre que quiser conversar sobre seus pensamentos de suicídio. ”
Assim como você deseja que a pessoa se sinta acolhida por ter compartilhado seus pensamentos suicidas, é bom deixar claro que você estará sempre disponível para uma conversa. De novo, se for realmente capaz de ter essa disponibilidade emocional. Muitas vezes, alguém que tem pensamentos suicidas sente que os outros têm uma expectativa de "superar isso". Ao dizer à pessoa que você se prontifica a ouvi-la sobre seus pensamentos suicidas, você pode ajudar a evitar o isolamento e o sigilo.

Muito bem! Agora, quais são suas ideias sobre o que dizer para uma pessoa suicida?
Há muitas outras respostas úteis além das listadas aqui. 

Se você tem pensamentos de suicídio, o que você gostaria que lhe dissessem caso você contasse a alguém?

Se já ajudou algum amigo ou membro da família que tenha pensado em se matar, você acha que quais respostas suas foram capazes de estimular o acolhimento, o compartilhamento e a segurança? Por favor, contribua e sinta-se à vontade para fazer um comentário a este texto".


  •  Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188.



Texto original: 10 Things to Say to a Suicidal Person / Written by Stacey Freedenthal, PhD, LCSW /https://www.speakingofsuicide.com/2017/10/03/10-things-to-say/
Texto livremente traduzido e adaptado.



domingo, 8 de abril de 2018

Leu um post suicida nas redes sociais? Saiba o que fazer

Helena Bertho

Do UOL, em São Paulo

30/03/2017 

"O que eu faço?". A dúvida angustiada foi a primeira coisa que passou pela cabeça da tradutora paulistana Alessandra Siedschlag, 45 anos, ao ler no Facebook uma mensagem de despedida de Aline*. No post, a amiga de infância da tradutora deixava clara a intenção de se matar -"digam para minha filha que a amo", foi o trecho que mais lhe chamou a atenção. Dos 60 amigos na rede social, só mesmo Alessandra não ficou parada. Primeiro tentou ligar para Aline, que não atendeu o celular. Então chamou a polícia.

"Os policiais me informaram que eu deveria estar junto quando a viatura chegasse ao prédio. Só que eu morava do outro lado da cidade e tive medo de não aparecer a tempo para evitar o pior", conta Alessandra, que pegou um táxi, desesperada. "Chegando lá, o síndico não queria autorizar nossa ida ao apartamento, nem permitir que a porta fosse arrombada". Depois de muita insistência, os policiais conseguiram subir e Aline foi encontrada no chão da sacada, desacordada. A tela de proteção da varanda do apartamento, no 13º andar, estava cortada.

"Ela foi levada para o hospital na própria viatura, não houve tempo nem para esperar uma ambulância. Lá foi atendida e sobreviveu", recorda Alessandra, aliviada. "No dia seguinte, a Aline me agradeceu. Contou que havia sido um ato de desespero.

Quem quer mesmo se matar manda aviso? 

Mensagens como as de Aline vêm se tornado cada vez mais comuns nas redes sociais. São postagens em tom de desabafo, que sugerem a intenção de suicídio. Só este mês, três casos como o da amiga de Alessandra ganharam a mídia: dois em Santa Catarina e outro no Piauí. Felizmente, em todos o socorro chegou a tempo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, um brasileiro comete suicídio a cada 45 minutos. No entanto, de acordo com o levantamento, 90% dessas mortes poderiam ser evitadas, se o resgate acontecesse em tempo hábil. Por isso, mensagens assim nunca devem ser ignoradas.    "Existe um mito de que quem realmente quer se matar não manda aviso. Mas todo comentário de suicídio deve ser levado a sério", explica a psicóloga Karen Scavacini, do Instituto Vita Alere, de prevenção ao suicídio. "Em alguns casos, talvez seja mesmo um pedido de atenção. Mas é, sobretudo, a comunicação de um sofrimento extremo, que não deve ser desprezada."

Mas tomar uma atitude, como fez Alessandra, nem sempre é fácil. Muitas pessoas se vêm paralisadas ao ler um post suicida no Facebook. "É comum ter medo de invadir a privacidade do outro, especialmente se aquele 'amigo virtual' não é tão próximo assim na vida real. Ou ainda ouvir que a pessoa quer mesmo se matar e não saber o que fazer", afirma Karen.

Mas o que eu posso fazer? Se um amigo, parente ou conhecido indicou nas redes sociais que está pensando em tirar a própria vida, a primeira atitude que você deve ter é tentar conversar. "Pergunte o que está acontecendo, se ela precisa de ajuda. Esteja preparado para ouvir coisas que nem imagina, sem julgar ou criticar", diz a voluntária o Centro de Valorização da Vida (CVV), Adriana Rizzo. "É importante que isso seja feito de maneira privada, sem expor a pessoa em comentários ou postagens públicas. Dependendo da sua proximidade com aquela pessoa, ligue para ela."

Quando se sente sozinho, alguém com problemas sérios e disposto a cometer o pior, não vê saídas. "Conversar com alguém pode ajudar a diminuir a ansiedade e a angústia", ressalta Adriana, que também orienta a não se afastar da pessoa depois dessa primeira conversa. "Nunca diga que a pessoa é louca, não duvide do que ela diz, não sugira que vai passar, não compare o problema dela aos seus".   

Além disso, contar uma história sua similar, que seja positiva, pode ser bom. Segundo a psicóloga, "isso pode trazer uma sensação de compreensão e de acolhimento. Mas não diga que o jeito que você fez que é o certo, apenas deixe claro que as coisas podem dar certo". As especialistas também orientam a nunca manter sigilo e avisar pessoas próximas para que também ajudem.    

Quando a ação deve ser rápida 

Em alguns casos, como o da amiga de Alessandra, é preciso tomar uma atitude mais imediata. Algumas mensagens deixam claro que a pessoa está prestes a agir e agora os vídeos ao vivo também tem sido feitos dos preparos do potencial suicida.   No caso de uma publicação em texto, ligue para a pessoa para checar como está. Caso ela não atenda, acione familiares ou amigos que morem próximos para que possam chegar junto com a polícia e os bombeiros. Já no caso dos vídeos, não é preciso checar com a pessoa como está. Na hora acione a emergência e vá até o local, ou peça para alguém ir.

O próprio Facebook conta com ferramentas para ajudar nesses casos. Ao ver mensagens que indiquem tendências suicidas ou de automutilação, você pode clicar em "denunciar publicação", em seguida selecionar "acredito que não deveria estar no Facebook", para, por fim, escolher a opção relacionada a suicídio. Ao fazer isso, o autor da publicação receberá uma mensagem dizendo que um amigo está preocupado e oferecendo algumas opções de ajuda, entre elas o contato do CVV e dicas do que fazer. 

Já quando você se deparar com um vídeo ao vivo que indique a intenção de suicídio, ao fazer a denúncia as imagens vão diretamente para análise de um funcionário do Facebook que entra em contato com as autoridades responsáveis. Foi através desse mecanismo que, no último dia 8, a polícia de Santa Catarina conseguiu impedir a morte de um mecânico desempregado, que foi encaminhado para atendimento psiquiátrico e com a assistência social.

"Esse homem fez um vídeo ao vivo em que dizia que ia se matar. O Facebook identificou e entrou em contato com a polícia americana, que nos procurou. Nós então fizemos uma busca por informações do homem e encontramos seu endereço. Acionamos a polícia miliar da cidade em que vive, e conseguimos chegar até ele a tempo de impedir que ele se enforcasse", conta o agente de polícia Ivan Castilho, que participou da ação.




domingo, 20 de agosto de 2017

Quais perguntas fazer a alguém que se sinta suicida?

Quando uma pessoa querida, um familiar ou amigo, está pensando em suicídio, às vezes pode ser difícil saber o que fazer ou dizer diante dessa situação.
Talvez um colega de trabalho lhe tenha expressado, de passagem, sentir que ninguém notaria se ele desaparecesse para sempre. Talvez um membro da família tenha manifestado que o melhor seria se ele pudesse dormir e nunca mais acordar. Ou talvez um amigo tenha contado a você sobre um plano concreto para acabar com a própria vida. Seja qual for a situação, esse tipo de conversa é séria e não deve ser ignorada.
Queríamos saber quais perguntas fazer a alguém que se sinta suicida, então pedimos aos membros do nossa comunidade de saúde mental para compartilhar uma pergunta que eles desejaram que lhes tivessem sido feitas quando se sentiram suicidas. É importante lembrar que cada pessoa que experimenta pensamentos suicidas tem sua própria necessidade. As perguntas podem ser um excelente ponto de partida, mas não deve ser a única medida para conseguir uma aproximação. A atitude que deve seguir a estas perguntas é que pode realmente ajudar as pessoas a se sentirem compreendidas e amadas.
Eis o que eles tinham a dizer:
1. “Você quer sair? Muitas vezes, em meus piores momentos, sempre me senti isolada e sozinha. Foi a partir deste ano que as pessoas realmente começaram a perceber e passaram a me convidar quando eu começava a me sentir isolada. "- Kira M.

2. “Posso me deitar aqui com você? Não precisava de mais conversa. Minha cabeça já estava cheia o suficiente. Eu precisava era de um abraço para saber que sim, eu existia para alguém. "- Michelle M.

3. “Qual é a pior coisa que você está pensando ou sentindo agora? Quando me sinto muito mal, vejo-me obrigada a esconder o que sinto das pessoas. Seria um alívio saber que eu posso conversar e falar abertamente sobre isso com alguém. "- Elizabeth M.

4. "Eu queria que alguém me perguntasse o que estava acontecendo ou como eles poderiam ajudar. Eu queria que alguém me ouvisse. No meio em que vivo as pessoas não dão a mínima atenção se o assunto não for conveniente para elas. É triste, tentei falar com alguns amigos sobre suicídio, mas eles empurraram o assunto para debaixo do tapete. "-Ashley M.

5. "Eu queria que eles simplesmente me perguntassem se eu pensava em suicídio. Sempre me fazem pergunta tipo: “Como você está”?" 'Você está bem?' "Algum mau pensamento?" "Você está tendo um dia bom ou ruim?" E tantas outras perguntas que parecem evitar a palavra " suicídio ". Quando essas pessoas evitam dizer a palavra suicídio ou se constrangem em perguntar se estou me sentindo suicida, penso logo que não querem saber como estou realmente me sentindo. "- Makayla F.

6. “Posso segurar sua mão esta noite? Eu acho que é importante poder sentar-se com alguém que é suicida e, não, procurar colocar um band-aid... Apenas sente-se sem julgamento e deixe a pessoa sentir que há alguém de verdade ao seu lado. "- Gyna R.

7. “Como posso ajudar? E se eu não sei o que dizer, porque, realmente, quando me sinto assim eu não sei como ser ajudada, apenas esteja lá. "- Jessi W.

8. “Por quê? Uma pergunta simples que nunca me fizeram de uma maneira sincera. Sem julgamento, sem nenhuma tentativa distorcida de fazer com que meus problemas pareçam menos importantes do que eu sinto que são. Perguntar por que com a verdadeira intenção de entender. Cuidar de mim sem me odiar por meus pensamentos. É o que eu precisaria. O que ainda preciso às vezes. "- Lydia D.

9. “Posso ficar com você? Às vezes, quando eu estou suicida, tudo o que preciso é que alguém esteja ao meu lado, que fisicamente não me deixe sozinha e que eu possa sentir a presença de uma outra pessoa que deseje realmente  que eu permaneça viva. "- Alyse R.

10. “Você está realmente OK? Se alguém tivesse dito isso me olhando dentro dos olhos e estivesse aberto em ouvir tudo o quanto eu gostaria de dizer, teria sentido que alguém se importou de verdade comigo. Ninguém nunca tentou ultrapassar a resposta de sempre: "Sim, estou bem", e eu realmente queria que alguém tivesse. "- Kacey K.

11. “Posso ir / posso ir buscá-la? Eu tenho (um filme / jogo de tabuleiro / jogo de cartas / maquiagem nova / etc e / pipoca / doces / bolo / etc). Seria bom estar com alguém que só queira estar comigo. Não precisa querer me “ajudar” ou “me tirar do fundo do poço”. Apenas esteja lá. Literalmente. Distraia-me. Faça com que me divirta. "- Brianne O.

12. “Você quer ajuda com algumas de suas tarefas? Você pode falar comigo sobre isso? Como você está se sentindo? Você pode me dizer o que está acontecendo para que eu possa entender o que você está passando? Existe alguma coisa que eu possa fazer para apoiá-lo nessa sua luta? Qualquer um destas perguntas seria bem vinda. "- Devin L.

13. “Você quer que eu procure um profissional para você se tratar? Eu nunca falo porque não quero ser um fardo e preocupar as pessoas, mas eu apreciaria se alguém levasse o que sinto a sério e me fizesse essa pergunta. "- Valentina V.

14. “Como posso te ajudar? As pessoas costumam ouvir que eu sou suicida, mas digo que não é nada disso, peço desculpas e desapareço por um tempo até que eu fique "melhor". Eu não precisaria de uma ajuda grandiosa, coisas até bobas - um texto ou uma visita à minha casa quando eu estou ansiosa para ver alguém, que enviem um meme tolo, mas pelo menos me perguntem: “Como eu posso te ajudar”?" Mas eu nunca vou contar a ninguém nada disso. "- Ciara L.

15. "A única coisa que sempre, sempre e sempre preciso ouvir é isso: Eu não vou deixar você. "-  Krystal S.

Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.

Texto original: By Juliette Virzi  https://themighty.com/2017/07/questions-to-ask-someone-suicidal-thoughts/ via @TheMightySite.

 Texto livremente traduzido e adaptado.

domingo, 2 de julho de 2017

Como Apoiar um Amigo que Tentou Cometer Suicídio


"Se algum amigo seu tentou cometer suicídio recentemente, é bem provável que você esteja preocupado e ao mesmo tempo sem saber o que dizer. O melhor que se tem a fazer é oferecer o seu apoio e a sua amizade durante essa fase difícil. É muito importante pensar antes de falar e sempre lidar com a situação com carinho e amor.

 1. OFERECENDO SEU APOIO

 1. Esteja disponível. A melhor coisa que você tem a oferecer para um amigo que tentou cometer suicídio é estar presente para apoiá-lo. Abrace-o e ofereça o seu ombro e o seu ouvido para ajudá-lo a seguir em frente. Deixe claro que pode receber ligações e ficar com ele o tempo que for preciso. Obviamente, ele pode não querer falar sobre o ocorrido e pode também não ser tão expressivo quanto antes, o que é normal. Não deixe que isso o impeça de passar um tempo com ele; às vezes, a sua companhia é justo o que ele precisa. 
Não é preciso tocar no assunto do suicídio, mas esteja disposto a ouvir sobre ele caso seu amigo queira discuti-lo.
Caso a tentativa seja recente, ofereça o seu apoio e pergunte o que pode fazer para ajudar. Deixe claro que está feliz com a presença de seu amigo.
   
 2. Seja compreensivo. É difícil compreender o que levou seu amigo a tentar tirar a própria vida. É bem provável que você tenha alguns sentimentos diferentes quanto à tentativa, como raiva, culpa ou vergonha, mas seja compreensivo para ajudá-lo nesse momento tão difícil. Tente entender a dor imensa que estava por trás da tentativa, seja ela causada pela depressão, por um acidente, pelo desolamento, por uma perda recente, por uma doença, um vício ou pelo isolamento. Lembre-se de que seu amigo está sofrendo, independentemente da causa.
        É possível que você nunca compreenda o que se passa na cabeça de uma pessoa antes de uma tentativa de suicídio. Se você se importa com seu amigo e sabe o que tem ocorrido na vida dele, é possível se esforçar para compreender a dor dele.

    3. Ouça. Muitas vezes, o melhor que você pode fazer para seu amigo é ouvi-lo. Dê o espaço do qual ele precisa para se expressar e evite interrompê-lo ou tentar "solucionar" os problemas dele. Não compare a situação dele com a sua ou de qualquer outra pessoa; lembre-se de que os nossos sentimentos são únicos. Livre-se das distrações e concentre-se completamente em seu amigo para demonstrar que se importa.
        Ouvir pode ser tão importante quanto dizer a coisa certa. Quando estiver ouvindo, evite julgamentos e não tente perguntar os motivos dele. Concentre-se no que o seu amigo está sentindo e no que ele precisa de você.
        Caso ele queira discutir a tentativa o tempo inteiro, seja paciente e deixe-o falar por quanto tempo quiser. Trata-se de um modo natural de processar o ocorrido.
        
        
        4. Ofereça a sua ajuda. Não é preciso fazer nada grandioso; pequenos gestos também podem ser muito importantes. Pergunte do que ele precisa e ofereça a sua ajuda. Se possível, pergunte o que ele não quer, para que você não acabe fazendo algo desnecessário ou que vá piorar a situação.
            Por exemplo, caso ele esteja nervoso quanto às sessões de terapia, ofereça-se para acompanhá-lo até o consultório. Caso ele esteja se sentindo sobrecarregado com tudo, ofereça-se para cozinhar o jantar, cuidar dos filhos dele, entre outras coisas que possam deixá-lo mais relaxado.
            Ajudar com as menores tarefas pode fazer uma diferença enorme. Nunca pense que algo é pequeno demais.
            A ajuda também pode assumir a forma de tirar os problemas da cabeça dele. Caso ele esteja cansado de pensar no ocorrido, leve-o ao cinema ou para jantar.

        
        5. Aprenda mais sobre como ajudar. Caso a tentativa de suicídio seja recente e você acredite que ele possa tentar novamente, esforce-se para levar seu amigo para a segurança. Saiba quem chamar para pedir ajuda, seja um psicólogo, um pai ou mesmo a polícia em casos extremos. Existem também linhas diretas disponíveis 24 horas por dia, como o Centro de Valorização da Vida no número 141. 
O centro também pode ser contatado através de um chat online e do Skype.
http://www.cvv.org.br/
            Não hesite em ligar para o CVV nunca, pois eles têm voluntários treinados e dispostos a ajudar.
            Lembre-se de que você não pode fazer muita coisa sozinho. Os familiares e os outros amigos também devem ajudar a pessoa a se manter longe das coisas que possam despertar os pensamentos suicidas.
       
      
        6. Pergunte como mantê-lo seguro. Caso seu amigo tenha ido para o hospital após a tentativa ou esteja fazendo terapia, é bem provável que ele tenha um plano de segurança. Converse com ele para descobrir mais sobre o plano e sobre como você pode ajudar. Caso ele não tenha um plano, faça algumas pesquisas na internet para ajudá-lo a criar um. Aprenda a identificar quando ele estiver sobrecarregado e descubra como pode ajudar. Peça a colaboração dele para saber quais sinais você deve ficar de olho para intervir, se necessário.
            Por exemplo, seu amigo pode comentar que não saiu da cama o dia inteiro e está evitando telefonemas, um sinal de que ele está se afastando dos outros. Essa pode ser a hora de chamar alguém que pode ajudar.

        
        7. Ajude o seu amigo a seguir com a vida. Ele deve consultar um terapeuta ou algum outro profissional de saúde mental e, em alguns casos, tomar remédios. Além de apoiá-lo na busca de ajuda, você também pode ajudá-lo com pequenas mudanças na vida. As mudanças não devem ser drásticas no começo, lembre-se!
            Por exemplo, caso a depressão tenha se originado em um relacionamento fracassado, você pode ajudar seu amigo a se distrair planejando atividades divertidas. Com o tempo, ajude-o a voltar para a vida amorosa.
            Caso a depressão tenha se originado do sentimento de que a vida profissional dele está acabada, ajude-o a atualizar o currículo ou converse com ele sobre retomar os estudos.

        
        8. Não fique sozinho. Não se considere egoísta por pedir ajuda de outras pessoas (amigos, parentes e mesmo profissionais de saúde) para apoiar o seu amigo. Fazê-lo pode ajudá-lo a não ficar sobrecarregado. Caso comece a ficar esgotado, diga ao seu amigo que precisa passar um tempo sozinho ou com outros amigos para cuidar de si. Lembre-o de que precisa apenas recarregar as baterias e que logo voltará renovado. Se possível, defina alguns limites e deixe claro o que pode fazer e o que não está disposto.
            Por exemplo, deixe claro que ficaria feliz em jantar uma vez por semana com seu amigo, mas que não vai esconder os problemas dele e que vai buscar ajuda quando necessário.
            Seu amigo não deve pedir que você guarde segredo sobre a tentativa de suicídio. Pessoas próximas e importantes devem saber do ocorrido para que também possam ajudar.
        Ofereça um pouco de esperança sobre o futuro. Fazê-lo pode impedir futuras tentativas de suicídio. Faça com que seu amigo pense e fale sobre a esperança; pergunte sobre como ela o tem influenciado ultimamente. Algumas coisas para se perguntar:
            Para quem você ligaria para pedir ajuda para sentir-se mais esperançoso?
            Quais sensações, imagens, sons, cores ou objetos você costuma associar com a esperança?
            Como fortalece e alimenta a sua esperança?
            Quais coisas costumam ameaçar a sua esperança?
            Tente imaginar uma imagem que represente esperança para você. O que vê?
            Para onde você corre quando está se sentindo desolado?

        
        10. Mantenha o contato. Esforce-se para deixar claro que está pensando em seu amigo, mesmo quando estiverem separados. Pergunte se pode manter o contato e qual seria a frequência ideal. Pergunte também qual o método preferido dele para manter o contato, seja por telefone, mensagem de texto ou visitas.
            Não há necessidade de perguntar sobre o suicídio com frequência, a menos que pense que o problema possa se repetir. Simplesmente pergunte como ele está e se precisa de algo.

        
        11. Fique atento aos sinais de alerta. Não pense que seu amigo nunca mais vai tentar se machucar novamente só por ter fracassado antes. Infelizmente, cerca de 10 % das pessoas que tentam cometer suicídio acabam se matando mesmo. Isso não significa que você deve observar todos os movimentos dele, mas que deve ficar vigilante para os sinais de alerta que indicam o suicídio. Se acredita que há uma chance da tentativa ocorrer novamente, converse com alguém e peça ajuda, principalmente ao notar ameaças ou discussões sobre automutilações e suicídio. Lembre-se dos sinais:

  •  Desejo de morrer
  •  Abuso de substâncias
  •  Falta de propósito
  •  Ansiedade
  •  Sensação de aprisionamento
  •  Desesperança
  • Afastamento
  • Raiva
  • Imprudência
  • Mudanças no humor

         PARTE 2 - EVITANDO COMPORTAMENTOS NOCIVOS


               
        1. Não dê um sermão. O que seu amigo precisa agora é de amor e apoio, não de lições de certo e errado. Ele provavelmente sente vergonha e culpa pelo que fez. Um sermão não o ajudará a se aproximar da pessoa ou a manter o relacionamento de vocês.
            Há uma chance de que você esteja bravo com a tentativa de suicídio e queira perguntar por que ele não pediu ajuda[25], mas questionar não ajudará em nada na relação de vocês, principalmente se a tentativa for recente.

        
     
        2. Reconheça a tentativa de suicídio. Não finja que nada aconteceu e espere que as coisas voltem ao normal. Nunca se deve ignorar completamente o ocorrido, mesmo que seu amigo não toque no assunto. Diga algo gentil e demonstre o seu apoio, mesmo que acabe se atrapalhando no meio da conversa. É melhor tocar no assunto do que não dizer nada.
            Por exemplo, uma opção é dizer que sente muito pelo que seu amigo estava passando e perguntar se há algo que você pode fazer. Lembre-se de reforçar que se importa muito com ele.
            Você está em uma situação desconfortável e é normal não saber como agir. Ninguém sabe muito bem como lidar com um amigo que tentou cometer suicídio.

               
        3. Leve a tentativa de suicídio a sério. Muitas pessoas acreditam que trata-se apenas de um modo de chamar atenção e que a pessoa não estava levando a situação a sério. Trata-se de uma questão muito séria e que demonstra que existe uma dor emocional muito grande por dentro da pessoa. Nunca diga que ele estava tentando chamar a atenção, pois você apenas menosprezará a seriedade da decisão dele e diminuirá as emoções dele ao mesmo tempo.
            Seja o mais sensível possível. Se disser que seu amigo estava apenas tentando chamar atenção, você demonstrará que não está realmente tentando compreender a situação.
            Por mais que seja mais fácil minimizar os problemas dele, fazê-lo não o ajudará em nada.

         4. Não faça seu amigo sentir-se culpado. Fazê-lo é insensível, mesmo que você se sinta magoado ou traído por conta da tentativa de suicídio. Ele provavelmente já está sentindo culpa ou vergonha por preocupar aqueles ao redor. Em vez de dizer algo como: "Você não pensou em seus amigos ou familiares?", tente demonstrar empatia.
            Lembre-se de que ele provavelmente ainda está depressivo ou frágil. O que ele precisa agora é de apoio e amor.
        
        Dê tempo ao tempo. Não existe nenhuma solução fácil ou rápida para uma tentativa de suicídio. Não se deve esperar que remédios vão simplesmente deixar tudo bem de um dia para o outro. O processo de pensamento que leva ao suicídio é bastante complexo, assim como o processo de recuperação. Por mais que seja importante fazer com que seu amigo busque ajuda, não menospreze os problemas dele dizendo que a solução é simples.
            Você provavelmente quer tirar a dor de seu amigo para que tudo volte ao normal. Lembre-se de que ele deve lutar contra a dor, e o máximo que você pode fazer é apoiá-lo e oferecer a sua ajuda.
       
Dicas
            Planeje atividades que ajudem no bem-estar. Saiam para caminhar ou nadar, por exemplo. Dê ao seu amigo algo pelo qual ficar empolgado.
            Deixe claro que é natural chorar e sentir emoções fortes ou conflitantes, mas reforce que não é saudável ficar sobrecarregado com elas. Seja uma fonte de inspiração.
       Não sinta-se pressionado a fazer algo grandioso. A sua companhia provavelmente é o suficiente. Esteja presente na vida de seu amigo para ajudá-lo.
            Não sinta pena demais, ou seu amigo pensará que é um fardo, o que pode aumentar a depressão.
      
Avisos
            Qualquer relação com uma pessoa depressiva ou suicida pode ser difícil e desafiadora.
            Não importa quão sincero você seja ao tentar ajudar, a sua amizade pode ser rejeitada. Não leve para o lado pessoal; a depressão dificulta muito a aceitação da ajuda, mesmo de pessoas conhecidas.
            Tome cuidado para não deixar o seu amigo acuado ou preso durante a primeira conversa após a tentativa de suicídio. Demonstre o seu apoio".

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