domingo, 18 de novembro de 2018

No Outubro Rosa e no Novembro Azul também precisamos falar sobre suicídio


Quando falamos a respeito da prevenção do suicídio, sempre abordamos os fatores de risco e os fatores de proteção como aspectos fundamentais para a avaliação de risco. 

Como Kovács (1996, p. 17-18)  aponta:

"O diagnóstico de uma doença com prognóstico reservado traz à tona a fragilidade do ser humano e o contato com a sua finitude, lembrando a possibilidade da morte mais próxima. [...]
O medo do sofrimento, da dor e da degeneração podem fazer com que o indivíduo se sinta morto ou prefira morrer a viver uma quase vida".   

Existem estudos que relacionam as neoplasias a um risco mais significativo de suicídio, especialmente quando se trata de: pacientes do sexo masculino; período inicial do diagnóstico (os primeiros meses são apontados como momento de maior risco); diagnóstico de metástase e os desdobramentos da quimioterapia e de todo o tratamento; dor não controlada e impacto na qualidade de vida (OMS, 2000; ALBUQUERQUE E SAMPAIO, 2014).

Andrew Solomon, no livro "O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão" (2014, p. 256), relata o quanto o suicídio de sua mãe ("nos estágios finais do câncer terminal") quando ele tinha 27 anos, foi desestabilizador. "Embora eu admire minha mãe por ter feito o que fez e acredite em sua atitude, seu suicídio é o cataclismo de minha vida". 

Ele conta:
"O câncer de minha mãe foi diagnosticado em agosto de 1989. Em sua primeira semana no hospital, ela anunciou que ia se matar. Todos tentamos não levar a sério essa declaração, e ela não insistiu. Naquela época, ela não estava falando de um plano ponderado para terminar com seus sintomas - quase não tinha nenhum - , mas expressava uma sensação de ultraje ante a indignidade do que estava à sua frente e um profundo medo de perder o controle de sua vida. Na época, falava de suicídio como alguém que sofreu uma decepção no amor poderia falar dele, como uma alternativa rápida e fácil para o lento e doloroso processo de recuperação. Era como se quisesse vingança pela afronta que recebera da natureza; se sua vida não podia ser requintada como antes, ela não a queria mais" (SOLOMON, 2014, p. 259).    

Carvalho (1996, p. 94-95) comenta, a partir de sua experiência com pacientes da oncologia:
"[...] aprendi a reconhecer os que querem viver e os que querem morrer.. Não chego a dizer que o câncer já tenha sido provocado, inconscientemente, com essa intenção. Mas, uma vez instalado o processo canceroso, aqueles que realmente querem viver muitas vezes conseguem reverter o processo. Outros vão se entregando aos braços de uma dama atraente, às vezes libertadora, às vezes consoladora, chamada Morte. Já ouvi a frase - o câncer é um suicídio socialmente aceito".  

O diagnóstico do câncer pode mobilizar medo, angústia e potencializar o surgimento de quadros de sofrimento mental - principalmente a depressão e a ansiedade. Determinados transtornos mentais, associados a fatores psicossociais,  podem potencializar as tendências autodestrutivas, incluindo a morte autoprovocada.  
“O suicídio pode ser um meio de manter o senso de controle e uma alternativa reconfortante para pacientes que se sentem oprimidos pela incerteza, sentimentos de impotência e temor de experimentar um sofrimento insuportável” (SANTOS, 2017).

De acordo com uma pesquisa de Teng, Humes e Demetrio (2005), “pacientes oncológicos deprimidos aderem menos aos tratamentos propostos, piorando seu prognóstico. A qualidade de vida fica comprometida, acelerando um ciclo vicioso de desesperança que pode culminar em suicídio”.

Segundo Albuquerque e Cabral (2014):

"Ideias de suicídio podem surgir como uma alternativa, que alguns consideram racional, a uma morte dolorosa e incontrolável, especialmente em fases avançadas da doença 'se as coisas piorarem muito, terei sempre uma saída' " (p. 349).  

Considerando estas questões, é fundamental oferecer um cuidado integral para pessoas que se encontram em tratamento de câncer e fortalecer ainda mais os fatores de proteção. 

Para Albuquerque e Cabral, o primeiro cuidado deve ser a disponibilidade para discutir abertamente sobre a doença, suas angústias e o medo da morte. As autoras destacam ainda a importância do controle dos sintomas físicos, para promover o bem-estar e permitir que a pessoa tenha o menor sofrimento possível.

Redes de apoio, grupos terapêuticos e acompanhamento psicológico são recursos importantes para que a valorização da vida se intensifique cada vez mais.  

Como diz Rubem Alves: “Na verdade, a Morte nunca fala sobre si mesma. Ela sempre nos fala sobre aquilo  que estamos fazendo com a própria Vida, as perdas, os sonhos que não sonhamos, os riscos que não tomamos (por medo) [...] Ela nos convida a contemplar a nossa própria verdade. E o que ela nos diz é simplesmente isto:  'Veja a vida. Não há tempo a perder.
É preciso viver agora!  Não se pode deixar o amor para depois...'". 

Sempre é possível ressignificar nossas experiências, como Sophie Sabbage afirma no livro "O que o câncer me ensinou":

 "A partir do momento em que soube que minha doença era incurável, minha vida foi transformada radicalmente. Morrer é agora uma parte íntima e integral do meu viver. É minha companhia de todos os dias. Eu precisava aceitar essa presença e reconhecer que a morte não precisava me roubar do meu propósito, que eu ainda podia ser motivada e transformada pela maneira como me dedico a esta experiência. Mesmo as grandes feridas da minha vida podiam ser curadas antes de eu morrer.
[...] Eu poderia perdoar o que não havia sido perdoado; refazer relacionamentos que tinham sido negligenciados; publicar a poesia que  escondera em arquivos secretos no meu computador [...] e substituir os arrependimentos da minha vida por gratidão pelo que realizei ao longo do caminho. Eu poderia morrer curada, viver curada e sair transformada ou sobreviver transformada. O resultado final está nas mãos de Deus, mas isso é de minha total responsabilidade"Sophie Sabbage em "O que o câncer me ensinou" (2017, p. 93).

- Psicóloga Luciana França Cescon 

Referências

ALBUQUERQUE, Emília e CABRAL, Ana Sofia. Doença oncológica e suicídio. In: SARAIVA, Carlos Braz; PEIXOTO, Bessa e SAMPAIO, Daniel (coord.). Suicídio e comportamentos autolesivos: Dos conceitos à prática clínica. Lisboa: Lidel, 2014 (pp.349-356).  

CARVALHO, Margarida M. J. de. Suicídio: a morte de si próprio. In: BROMBERG, Maria Helena Pereira Franco; KOVÁCS, Maria Julia et al. Vida e morte: laços da existência. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.

KOVÁCS, Maria Julia. A morte em vida. In: BROMBERG, Maria Helena Pereira Franco; KOVÁCS, Maria Julia et al. Vida e morte: laços da existência. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da saúde em Atenção Primária. Genebra, 2000.  

SABBAGE, Sophie. O que o câncer me ensinou. São Paulo: Sextante, 2017. 

SANTOS, Manoel Antônio dos. Câncer e suicídio em idosos: determinantes psicossociais do risco, psicopatologia e oportunidades para prevenção. Ciênc. saúde coletiva,  Rio de Janeiro ,  v. 22, n. 9, p. 3061-3075,  Setembro  2017.

SOLOMON, Andrew. O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão. 2a. Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.  

TENG, Chei Tung; HUMES, Eduardo de Castro; DEMETRIO, Frederico Navas. Depressão e comorbidades clínicas. Rev. psiquiatr. clín.,  São Paulo ,  v. 32, n. 3, p. 149-159,  Junho  2005 .


domingo, 11 de novembro de 2018

Livro: A tristeza transforma, a depressão paralisa_______Neury Botega

Mais um trabalho incrível do Dr. Neury Botega, que aborda a depressão sob três aspectos: 1) para pessoas com depressão; 2)para familiares e amigos de alguém que esteja enfrentando a depressão e 3) com informações aprofundadas sobre o tema.

Em uma linguagem superacessível, com exemplos de relatos e casos que traz da sua vasta bagagem na área da saúde mental, é uma leitura mais do que indicada.

"Se a tristeza brota em meio a uma crise existencial nutrida por conflitos que se arrastam, é imprescindível examinar atentamente o que se passa dentro da gente e não fugir [...] A tristeza pode ser transformadora" (p. 19-20).

"A depressão altera radicalmente o modo de pensar, de se ver e de viver. Afeta o passado, o presente e o futuro. A lente da depressão aumenta o tamanho dos problemas e faz com que só enxerguemos defeitos e dificuldades, nenhuma luz. Por causa da depressão, deixamos de valorizar nossas qualidades e conquistas" (p. 26).

"Se você tivesse sido atropelado por um caminhão e sobrevivesse, já imaginou como seria sua recuperação, como levaria algum tempo? [...] Então, se você está sofrendo de depressão, de alguma forma você foi atropelado pelo destino!
Se a depressão estiver relacionada a uma perda ou uma adversidade, o sentido da vida terá de ser ressignificado" (p. 79).

"Algumas pessoas pensam que não há doença mental que resista ao esforço pessoal de superação. Pois não é assim. Força de vontade não cura depressão. [...] É preciso tratamento para recobrar forças!" (p. 115).

"Quem nunca teve depressão geralmente a imagina como uma tristeza, uma onda de baixo-astral que pode melhorar a partir do esforço pessoal. 'Você tem que reagir, tem que se esforçar pra melhorar!' Comentários como esse são comuns e têm o intuito de animar o paciente deprimido. O problema é que eles põem a culpa na vítima. A pessoa deprimida sabe o que deveria fazer, mas simplesmente não consegue iniciar uma ação. Sente desânimo e impotência paralisantes" (p. 117).


domingo, 4 de novembro de 2018

O suicida não é covarde nem herói

Em uma conversa franca e corajosa sobre o suicídio do marido, a psicóloga mineira Luciana Rocha, hoje especialista no tema, nos ajuda a entender, sem culpa ou condenação, o gesto extremo de quem tira a própria vida.

Por Cynthia de Almeida 01/11/2018

Era pouco mais de meia-noite e, enquanto se preparavam para dormir, Luciana e Marden tiveram uma conversa corriqueira sobre os planos para o dia seguinte: a agenda de trabalho dos dois, uma festinha escolar dos filhos. Deram-se um beijo de boa noite. Luciana e as crianças dormiam quando Marden abriu a janela da sala e se jogou do 15º andar.

O salto para a morte aos 47 anos, depois de 15 de um casamento amoroso e harmônico, com dois filhos de 10 e 5 anos, lançou a família no absurdo vazio da dor e na vertigem da ausência auto-imposta e aparentemente inexplicável. Luciana tinha 41 anos, era psicóloga há 20 e decidiu então estudar o tema e se especializar em suicídio. Hoje, passados três anos daquela noite, é capaz de entender à luz da ciência o que aconteceu com Marden e com tantas pessoas que, como ele, tiram a própria vida, vítimas de um ou mais transtornos mentais subestimados por eles mesmos e invisíveis aos olhos de quem os cercam. Nesta conversa, a psicóloga mineira fala com enorme carinho do marido e nos explica por que o suicida não é nem covarde nem herói.

O que você se lembra do dia da morte do seu marido?
Eu e o Marden tínhamos conversado sobre os planos do dia seguinte: haveria uma festa na escola das crianças e eu não poderia comparecer mas ele falou que iria. Me deu um beijo e disse que ia dormir no quarto do nosso filho mais novo. Fui acordada pela minha irmã, que mora no mesmo prédio. Quando cheguei na sala a encontrei chorando e me dizendo que alguma coisa horrível tinha acontecido com o Marden. Na hora eu não entendi nada e disse que ele estava em casa, no quarto do nosso filho. Abri a porta do quarto e ele não estava. Na sala, a janela estava aberta e a rede de proteção havia sido cortada. Ele deixou a tesoura bem à mostra no batente e se jogou do 15º andar. Os pedaços cortados da rede ficaram no bolso dele. Acredito que tenha feito isso para não haver dúvidas de que ele próprio a cortara antes de se jogar. Deixou também uma longa carta, páginas e páginas com instruções minuciosas sobre questões práticas e sobre o que devíamos fazer depois da sua partida.

A última conversa deu alguma pista do que ele estava prestes a fazer?
Nenhuma. Eu sabia que estava passando por dificuldades na empresa (ele trabalhava no ramo de entretenimento) mas, nada que não pudéssemos superar. O Marden sempre foi uma pessoa muito alegre, animada, divertida. Nós sabíamos que havia algo de bipolar no seu comportamento, uma doença que ele subestimou e descuidou. Não se tratou como devia. Chegou a se medicar, mas sem a devida constância. Parecia sempre muito bem disposto, otimista. Hoje, depois de estudar o assunto, identifico nele características que o classificariam como um suicida potencial. Ele tinha o que chamamos de “depressão sorridente”. Sabe-se que 100% das pessoas que se suicidam tem um ou mais transtornos psicológicos. E meu marido tinha esses fatores de risco. Um deles é não enxergar uma solução para um problema. Há uma rigidez que os impede de pedir ajuda. Eles acham que tem que resolver sozinhos um obstáculo que acreditam intransponível.

Você se lembra dos seus primeiros pensamentos após o ocorrido?
O que lembro, dentro do choque, foi de pensar em como eu poderia contar para as crianças. O pai era muito amoroso, presente e carinhoso com eles. Assim como comigo. Ele os colocou na cama para dormir e simplesmente não estava mais lá no dia seguinte…
Eu não os acordei no meio da noite. Deixei que acordassem de manhã e então me sentei com eles no sofá e contei que o pai havia sofrido um acidente. Na mesma hora o meu filho mais novo perguntou: “O papai morreu?”. Eu respondi que sim, o papai morreu. Disse que ele fora consertar a rede da janela e se desequilibrou e caiu. Foi horrível: os dois choraram, saíram correndo. Me disseram que era minha culpa, que eu não tinha segurado o pai. Eu contei que não pude ajudá-lo porque também estava dormindo. Um ano depois, minha filha mais velha me questionou sobre a veracidade do acidente e eu contei a verdade: o pai se suicidara. Foi muito triste e naquele momento ela disse que a culpa era dela, porque às vezes ela não aceitava os convites do pai para jantar. Eu disse, imagine, vocês foram muito amigos, sempre juntos. Disse a ela que o pai morreu porque estava doente mas nós não sabíamos, ele não sabia. Ele estava muito doente e foi a sua doença que o matou.

Como foi para você enfrentar a culpa que por perder alguém amado por suicídio?
Não me senti culpada em nenhum momento. Hoje, com o conhecimento que tenho acho que poderia ter ajudado, mas naquele momento não tinha.
Eu sigo a filosofia budista há 20 anos e graças a ela, tenho uma aceitação maior dos fatos. Entendi, desde o início, que não adiantava me revoltar. Tratei de focar nas qualidades do Marden e nas coisas boas que vivemos, nós e nossos filhos. Tenho a convicção de que as coisas boas foram muito maiores do que o fim trágico.

Você concorda com a teoria que diz que, no caso do suicídio, assassino e vítima são a mesma pessoa e os sobreviventes tem que lidar com esse sentimento ambíguo em relação a quem partiu?
Não concordo. O suicídio é multifatorial. Quando a pessoa decide se matar, ela simplesmente não vê outra solução. Mesmo quem, como o meu marido, poderia ter tratado seus transtornos e não o fez não pode ser culpado: nossa sociedade sofre de psicofobia, que é o preconceito contra a doença mental. A gente tem que entender que é difícil para a pessoa aceitar o transtorno. O que podemos fazer como sociedade é combater o tabu e o preconceito. A primeira coisa seria mostrar que é comum, até banal, ter um transtorno. Não tem que ter vergonha. O suicida se sente envergonhado do que passa. Acha que tem que ser feliz e tem vergonha de procurar ajuda.

Você já o perdoou?
Não tive que perdoá-lo porque nunca o condenei. Entendo que fez o que fez porque estava em um estado desesperador. E que na cabeça dele, a morte era a única saída. Nunca tive raiva. Minha escolha foi a de continuar vivendo e buscando a felicidade. Uma semana depois da sua morte eu estava no meu grupo de meditação. Aos prantos, mas presente.

O suicídio é previsível?
Uma das coisas terríveis que a gente ouve é: “mas você não viu o que estava acontecendo?”. Quem diz isso a alguém no momento do luto não tem noção da gravidade das suas palavras. O suicídio pode ser prevenido, mas não pode ser previsto. O suicídio é uma ideia planejada. A pessoa pensou nisso mais de uma vez e não apenas no momento daquele ato. Quem tenta uma vez, tem 50% de chance de tentar de novo. E ser bem-sucedido.

Como os familiares devem agir nesse caso?
É muito difícil. Essas famílias que tentam proteger um potencial suicida de si mesmo ficam esgotadas. A maior parte delas, sem assistência, tem que se organizar em rodízios. É muito sacrificado. Para essas famílias eu diria que há um limite para nos sentirmos responsáveis pela vida do outro.

Qual é o peso do estigma para a família?
Se falar sobre o luto é tabu, o luto por suicídio de alguém próximo é maior ainda. Por muito tempo eu imaginava que, onde quer que eu fosse as pessoas estariam me olhando e pensando: “ela é aquela que o marido se matou…” O que se pensa, geralmente, é que uma família em que acontece um suicídio não pode ser normal. É compreensível que se pense assim. Para nós que temos uma pulsão de vida, é difícil entender a pulsão de morte. Por outro lado, o drama acentua a compaixão. Recebi muito carinho e conforto por parte da minha família e dos amigos mais queridos. Alguns não conseguem lidar com isso e se afastam. É compreensível.
No exato dia da morte, como havia aquela festa na escola sobre a qual falamos na nossa última conversa, vi, de repente minha casa cheia de pais de colegas das crianças, as pessoas me cercando de cuidado, trazendo comida, oferecendo-se para levá-los para passear. Tive uma rede de grande proteção e solidariedade.

Como foi retomar a vida?
Minha família foi fundamental. Meus pais, maravilhosos. Minha mãe me estimulava muito a voltar a sair, a reencontrar os amigos e me divertir. Confesso que nas primeiras vezes em que saí, quase um ano depois, achava que tinha sempre alguém me olhando e me julgando: ‘Olha aí a viúva alegre”. Mesmo assim, eu me esforcei para seguir em frente. As pessoas me ligavam queriam saber como eu estava mas nunca que convidavam pra nada, constrangidas. Eu tive que pedir que me chamassem. Mesmo que eu não quisesse e não fosse, eu queria ser chamada. Lembro do meu constrangimento de pegar o elevador à noite, arrumada e com um vinho na mão… Mas concluí que não podia me guiar pelo que eu achava que os outros iriam pensar, mas pelo que eu mesma pensava.

Você gosta de falar do seu marido?
Eu adoro falar sobre o Marden. No primeiro ano eu falava dele e também com ele o tempo todo. Olhava para nossa foto ao lado da cama e dizia: “Ei Salabim (eu o chamava assim e ele a mim), veja a situação em que você me deixou”. Falava e chorava tanto que dormia e acordava chorando. Meus filhos me diziam de manhã: “mãe, você ainda está chorando?”. E eu respondia: ‘Não filhos, eu dormi e voltei a chorar agora” (risos).

Como você, enlutada, ajuda as crianças com o luto pelo pai?
O budismo me ajuda. Vivemos o presente e eu os ensino a não pensar em como poderia ter sido diferente. Aqui em casa não tem “e se?”. As coisas são o que são e temos que lidar com o que estamos vivendo

Como você decidiu estudar o tema do suicídio?
Quando meu marido morreu, eu ainda trabalhava na empresa da minha família, apesar de ser psicóloga há 20 anos e nunca ter deixado de atender no consultório. Mas naquele momento eu senti que era importante me desligar do trabalho na empresa e fui estudar tanatologia e suicídio. Depois segui com os estudos e me especializei em cuidados paliativos. Desde então venho tratando do tema e participando de congressos, cursos e dado palestras. Atendo muitos enlutados e tem sido muito bom, para mim e meus pacientes, eu estar nesse lugar com o meu próprio luto. O luto é individual e único, mas posso oferecer a escuta e mostrar que é possível seguir a vida.

O que você gostaria de dizer para um enlutado que perdeu alguém por suicídio?
Primeiro, duas coisas tem que ficar claras: o suicídio é conseqüência de uma ou mais doenças mentais. O suicida não é um covarde e se matar não é um ato de heroísmo. É muito importante entender que a pessoa não se matou. A doença o matou. Em segundo lugar, não devemos culpar o suicida por sua decisão. Ele agiu com as informações de que dispunha naquele momento. Ele não pede ajuda e disfarça muito bem sua condição. Fez o que podia.

É possível encontrar uma razão?
A família não deve procurar o por quê. Não existe essa resposta.




domingo, 21 de outubro de 2018

O suicídio é um acontecimento doloroso e complexo e, parece, que a única maneira de realmente entender por que alguém quer tirar a sua própria vida é ser também suicida ou passar pela experiência de vivenciar pensamentos suicidas.

Infelizmente, quem tentou se matar, mas sobreviveu, passa também a ser vítima de um forte, e inaceitável, preconceito: "Como você pode ser tão egoísta!" "Como pôde fazer isso conosco?" “Foi só para chamar a atenção”. “Só pode ser louco para ter feito isso”. “Criatura sem Deus no coração!”. Entretanto, se as pessoas pudessem entender genuinamente o que acontece na cabeça de alguém que tenta o suicídio, os julgamentos não viriam tão rapidamente. A crítica poderia diminuir. E, ao promover a verdadeira compreensão e empatia, poderíamos tomar medidas mais acertadas para ajudar os que ainda estão lutando.

Por isso, perguntamos aos sobreviventes de tentativas de suicídio o que eles gostariam que os outros entendessem sobre suas experiências. Suas respostas são sinceras e difíceis de ler, mas são importantes. Aqui está o que eles têm a dizer:

1. “Na mente da pessoa que pensa em se matar o que acontece é completamente oposto de uma decisão egoísta. Naquele momento, nós realmente sentimos que o mundo seria um lugar melhor sem a gente. É interessante que, por um lado, eu me sinta feliz por algumas pessoas não entenderem isso, porque significa que elas nunca sentiram ou experimentaram esses sentimentos apavorantes, mas, por outro lado não deveriam ser tão rápidas em julgar. ”- Jen D.

2. “Para mim, é menos sobre a morte e mais sobre acabar com a dor. É difícil explicar como a morte faria você se sentir mais vivo do que nunca. Eu não estava fugindo dos meus problemas. Eu estava desesperadamente procurando uma maneira de superá-los, agora sei que equivocadamente, pela morte. ”- Kacie S.

3. “Nunca dê as costas para os seus pensamentos mais profundos e medonhos. Em dias de depressão, eles virão te visitar. Pode aguardar. Eles têm seus próprios olhos, ouvidos e voz. Eles tentarão te seduzir. Você tem que ser forte o suficiente para reconhecer que [em alguns casos], esses pensamentos estarão contigo por toda a vida. Não deixe que eles cumpram sua missão perversa de te destruir. ”- Andrew G.

4. “Não foi realmente sobre querer morrer. Era sobre escapar de uma dor insuportável quando eu não conseguia ver nenhuma outra opção. E eu estava convencido de que todos ficariam mais felizes se eu fosse embora, que eu estava fazendo um favor a eles. Eu não embarco mais em pensamentos de culpa tipo "pense no mal que você está fazendo para seus entes queridos". Eu sou muito grato por ainda estar vivo hoje. A dor se desvaneceu. Eu encontrei outras opções. E eu quero ficar por aqui, para ver como esta minha vida vai se desenrolar. ”- Erin L.

5. “Você é capaz de entender o quanto dói ser criticado por ter feito uma tentativa de suicídio? Você sabe o quanto dói ser chamado de "egoísta", "idiota" e ser visto como "louco"? Se você nunca teve ideação suicida, por favor, não julgue, não critique, porque está claro que isso não faz sentido para você ... também não faz sentido para a maioria das pessoas. Mas, infelizmente está acontecendo com muita gente, e nós merecemos ajuda, não ódio. ”- Kerri S.

6. “Quando conto a minha história, não é por atenção. É uma maneira de eu chegar e fazer a outros, que vivenciam esses mesmos sentimentos de morte, perceberem que não estão sozinhos. Eu quero que minha história inspire os outros a continuar, a continuar lutando e a dar os passos em direção a uma vida mais feliz e saudável. ”- Megan D.

7. Não critique os que estão passando por isso. Pergunte o que você pode fazer para ajudar. Tente entender que eles podem não saber porque pensamentos de autodestruição passaram a dominar suas mentes. Apenas esteja lá para apoiá-los quando necessário. ”- Solana C.

8. “Eu realmente não quero morrer. Eu só quero matar o jeito que eu sinto as coisas, calar a tagarelice incessante em meu cérebro, ter uma pausa em me sentir como a pior criatura mais indigna e desprezível do mundo. Não é sobre ser egoísta nem covarde. Não é para ferir ninguém. É puro desespero. ”- Andrea T.

9. “Minha depressão, minha ansiedade, meu TEPT são tão sérios e devastadores quanto uma deficiência física. Suicídio não é a saída do covarde. A dor, as emoções, a devastação. Eu sou abençoada por ter sobrevivido a minha tentativa, mas eu ainda luto contra os demônios na minha cabeça. Eu não acho que possa haver algo mais devastador do que ter duas lindas crianças incríveis e ainda pensar que o suicídio possa ser a única saída. A dor é real, e é algo que eu lido diariamente. ”- Lindsey J.
10. “Não é um grito por atenção. É a dor interminável de tentar viver em um mundo em que você acredita não pertencer. ”- Abbie M.

11. “Eu queria desesperadamente que a dor esmagadora cessasse, e naquele momento eu estava focado apenas em fazer parar a dor. Eu não estava pensando nas consequências do meu suicídio. ”- Mary Z.

12. “Você nunca esquece, e nunca será o mesmo de antes da tentativa. Você passa a carregar um peso em seus ombros. Alguns dias são mais difíceis do que outros, mas nem sempre você precisa carregar o peso sozinho. Muitos são rápidos em julgar, mas se não falarmos sobre nossas experiências, como podemos esperar que os outros entendam? A educação é a única coisa que pode combater a ignorância. ”- Rebecca R.

13. “Eu queria deixar de ser um fardo para as pessoas ao meu redor e silenciar a dor dentro de mim. Eu me sentia cansado de me sentir como um fracasso ou uma peste para os outros, mesmo que não fosse. É uma coisa séria. Por favor, leve a sério quem já tentou. Você não conhece as batalhas constantes que enfrentamos no dia-a-dia. ”- Liza G.

14. “Tentativa de suicídio não é fraqueza. Pode ser sim um pedido de ajuda. É uma confusão geral quando você constantemente se sente como um fracasso. É uma solução permanente para um sentimento temporário que, na hora, não parece nada temporário. É muito mais do que uma mera fuga do sofrimento, e às vezes é a única conclusão que nossos cérebros com doenças podem fazer por nós mesmos quando não sabemos mais o que fazer. ”- Sami S.

15. “Eu carrego comigo todos os dias a culpa de tentar deixar meus entes queridos. Quando eles dizem "você quis ir embora" - isso me machuca mais do que qualquer coisa porque não era "eu". Foi a minha doença ultrapassando o meu ser ...  ”- Alexis B.

16. “Nada sobre suicídio é egoísmo. Todos nós temos que cuidar de cada um de nós. E o suicídio tornou-se a única opção para me livrar completamente da dor que sinto a cada momento de todos os dias ... Precisamos de compaixão, compreensão, cuidado e carinho. ”- Marco O.

17. “É errado presumir que eu tinha um controle preciso sobre meus pensamentos e sabia exatamente o que estava fazendo. Eu não sabia. Eu ainda não sei. Toda vez que eu me recordo, há uma nova explicação, uma nova peça a ser encaixada. Sempre haverá novas peças, e isso me deixa muito cansada. Mas quando você tenta esquecer, os pensamentos voltam de outra maneira, sempre, todos os dias. Nada e ninguém pode pará-los, então você precisa aprender a acalmá-los .... É a coisa mais difícil e confusa que já fiz. ”- Keisha F

18. “Foi um arrependimento instantâneo. Eu estava com tanta dor e queria que ela parasse, mas assim que tomei todas aquelas pílulas, pensei: 'Meu Deus, o que eu fiz?' Eu quero que as pessoas saibam que não é tudo sobre morrer. Estamos todos apenas tentando acabar com nossa dor emocional.” - Teresa A.

19. “Eu não quero morrer. Eu só queria que a dor parasse. E ela parou. Lenta, mas seguramente, com a terapia e o tempo, a dor parou.” – Jeniffer W.

20. “Eu desejo que os outros entendam que eu não sou um perigo para eles. Depois da minha tentativa, meus amigos me mantiveram a distância ao invés de se aproximarem de mim, porque tinham medo que eu os machucasse também. Isso me deixou mais isolada e rejeitada do que nunca. Eu também gostaria que as pessoas entendessem o poder do que parece ser algo muito simples. Um abraço. Uma mensagem. Um telefonema. Pequenas coisas que são realmente enormes porque dizem: "Eu quero você aqui, quero ajudá-la a lutar". - Jennifer K.


 Texto original: 41 Secrets of Suicide Attempt Survivors by Megan Griffo  /  https://themighty.com/2016/09/what-its-like-to-try-to-kill-yourself/



domingo, 14 de outubro de 2018

"A varanda do quarto em que dormem o funcionário público Miguel Alixandre e a operadora de telemarketing Maricelma Cruz foi coberta por telas de proteção.

Foi de lá que a filha do casal, Aline Oliveira, de 19 anos, se jogou após uma crise de depressão. “Sempre que entro no quarto, lembro da cena”, diz o pai. Foi ele quem correu atrás de Aline quando ela tentou se suicidar. A menina pulou de uma altura de oito metros. E sobreviveu".

Um vídeo com depoimentos de uma adolescente e seus pais sobre a tentativa de suicídio dela e o processo de tentar compreender o que aconteceu e ressignificar também o vínculo entre eles.

Ainda existem culpa e desencontros em algumas falas:

"Eu tenho uma teoria ... que eu acho que o que os meus pais pensavam é que o que eu passava era só coisa de adolescente ... Ah, não tem necessidade ... Psicólogo é pra quem tá doente ... Eu acho que eles começaram a perceber a partir do momento que eu me joguei ..."

"Ela continua fazendo a mesma coisa ... ela não aprendeu nada com isso ..."

Mas podemos ver também o afeto e o desejo de fortalecer o relacionamento familiar.

"Como eu me sentia sozinha, eu achava que ia ser melhor para os meus pais que eu não estivesse mais viva ... porque eu me sentia um peso em casa"

"E os meus pais foram muito julgados na época, sabe? 'Como vocês não perceberam que a sua filha tava doente, como que vocês deixaram sua filha fazer isso', sabe? Mas a culpa não era deles. Então, eu me sinto culpada de culparem eles".

"Eu sempre amei muito eles ... eu nunca quis de fato deixar eles sozinhos e se eu soubesse que aquilo podia machucar eles, eu nunca teria feito aquilo".

"Peço a ela que tenha juízo e que ... eu lembro muito bem que ela falou que vai me dar muito orgulho"

Por isso, quando cuidamos de alguém com comportamento suicida, independente da idade, devemos incluir os membros da família no processo terapêutico e ainda orientá-los e apoiá-los também.

E esse suporte à família também é válido não apenas no consultório, mas também em CAPS, Pronto-Socorro ... ;)



domingo, 7 de outubro de 2018

Quatro maneiras de falar sobre suicídio na escola

Casos recentes acenderam um alerta entre educadores e pais, por isso a pauta é urgente e precisa fazer parte do cotidiano escolar.

A divulgação de casos recentes de suicídio entre alunos de escolas particulares de São Paulo deixou em alerta pais, educadores e adolescentes. E os números são alarmantes: entre 2000 e 2015 os suicídios aumentaram 65% entre pessoas com idade de 10 a 14 anos, e 45% entre adolescentes de 15 a 19 anos, tornando-se a segunda causa de morte desta faixa-etária. Os dados recém-divulgados são do Mapa da Violência 2017, publicado anualmente a partir de indicadores do Ministério da Saúde.

Jovens e adolescentes são também o principal grupo de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais, principalmente depressão. Segundo relatório da federação de empresas de seguro de saúde dos Estados Unidos, desde 2013 as taxas de depressão aumentaram 65% entre meninas adolescentes e 47% entre meninos.

As explicações para isso são muitas, como esclarece a psicóloga Alessandra Xavier, da Universidade Estadual do Ceará (UECE). “A adolescência é um período peculiar em que se está construindo uma série de referências profissionais, sociais, de vínculos e orientação sexual. Também são constantes as mudanças no corpo, na rede de amizades e na autoestima”.

Soma-se tudo isso às pressões dos pais e da escola para ingresso no ensino superior e à cultura do consumo e narcisismo, escancarada pelas redes sociais. Assim, segundo a psicóloga, muitos adolescentes acreditam que dar fim a própria vida é solução ou, no mínimo, um ato impulsivo de expressão do descontentamento com a realidade.

“A verdade é que somos todos muito despreparados para lidar com mudanças e angústias. Ficamos vulneráveis a qualquer experiência de dor e sofrimento”, define Alessandra, que articula uma série de ações junto ao ministério público do Estado do Ceará para prevenção do suicídio entre jovens e adolescentes.

Precisamos falar sobre isso
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio podem ser evitados através de ações de prevenção.
É por isso que a escola, espaço no qual crianças e adolescentes vivem grande parte de suas vidas, precisa falar sobre suicídio e outros potenciais desencadeadores, como bullying, depressão, abuso de drogas e violência doméstica. De preferência, de maneira constante para que se desmistifique o tabu que ronda a temática.

Sinais que podem indicar sofrimento psíquico:
  1. Mudança significativa de comportamento ou personalidade (agressividade, irritabilidade, apatia, pessimismo);
  2. Queda brusca de rendimento escolar;
  3. Isolamento, baixa autoestima, excesso de ansiedade;
  4. Abuso de álcool e/ou drogas;
  5. Histórico de transtorno mental (esquizofrenia, bipolaridade ou depressão);
  6. Desejo súbito de concluir ou organizar coisas e deixar mensagens aos amigos e parentes.


O trabalho pedagógico deve envolver os pais e agentes da saúde, levar em conta o contexto de vida de cada aluno e se concentrar em atividades que promovam a interação, o acolhimento socioemocional e a criação de uma cultura da paz. A seguir, confira quatro ações que podem começar a ser implementadas desde já.


  • Valorização do grupo

Promover jogos ou dinâmicas que propiciem o Desenvolvimento de competências socioemocionais. “As rodas de conversas diversa mediadas por um psicólogo ou professor capacitado funcionam bem”, indica Sheila Cavalcante, psiquiatra da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Unifesp.
Usando como premissas o respeito à diversidade de opinião e o incentivo ao diálogo, o mediador coloca em pauta temas pertinentes e dá direito a voz e ouvidos a todo o grupo, responsável pela construção de um conhecimento coletivo.

  • Promoção do autoconhecimento

Nem sempre é tão fácil reconhecer aquilo o que se está sentindo. Por isso, a escola pode fornecer informações e uma educação integral que ajude crianças e adolescentes a identificar seus estados emocionais e expressá-los de modo a pedir ajuda. Este é, inclusive, um dos pilares do Programa Cuca Legal, que desenvolve estratégias de melhoria da saúde mental por meio de trabalho científico e educativo.

  • Pedagogia da presença

A escola pode investir na capacitação de profissionais, que podem ser tanto professores como funcionários, para se aproximar dos estudantes de modo a construir vínculos e identificar traços de sofrimento psíquico.
“Uma boa maneira de começar a se mostrar mais disponível e acolhedor é pedir que eles escrevam cartas anônimas sobre sonhos, aspirações e incertezas sobre o futuro”, aconselha a psiquiatra da Unifesp. Aqui você encontra mais dicas de como implementar a pedagogia da presença.

  • Artes e abordagem interdisciplinar

A arte é uma das melhores maneiras de expressas sentimentos, por isso, pode ser mais trabalhada em sala de aula. Além disso, os professores devem se integrar para abordar a temática em suas aulas.
“O professor de História levanta com os alunos os dilemas contemporâneos da humanidade, o de Matemática mostra indicadores de aumento da depressão ou do bullying e aproveita para puxar a discussão em sala. O profissional de aproveita para debater o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe (1749-1832), que traz a temática”, indica Alessandra.

 O que fazer se houve um caso de suicídio ou tentativa? 
“Estudos mostram quando há um caso de suicídio na escola, duas semanas depois haverá uma segunda tentativa se nada for feito”, aponta Sheila Cavalcante, da Unifesp. “Adolescentes podem encarar o ato de tirar a própria vida como uma espécie de heroísmo ou exemplo a ser seguido”, completa.
Como medida de prevenção, a escola deve convocar um especialista para elaborar o luto de toda a turma e das famílias. “As famílias e a escola devem estar prontas para acolher o jovem, dando espaço para que ele expresse sentimentos como tristeza, raiva e culpa sem julgamentos”, diz a especialista.

Apoio 
No Brasil, o principal meio disponível para quem precisa de ajuda é o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação sem fins lucrativos que há 54 anos conta com serviço gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio. O CVV oferece apoio 24 horas pelo telefone 141 e pelo site https://www.cvv.org.br/.

A Sociedade Brasileira de Psiquiatria também disponibiliza gratuitamente um manual completo de prevenção do suicídio.

A lei de combate ao bullying nas escolas, sancionada em maio, altera um trecho da Lei 9.394, de 1996, e amplia as obrigações das escolas no combate à prática.  Além das instituições de ensino, clubes e agremiações têm o dever de desenvolverem medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying.



http://fundacaotelefonica.org.br/noticias/quatro-maneiras-de-falar-sobre-suicidio-na-escola/