domingo, 15 de abril de 2018

Internação e suicídio: Protocolo de atenção aos sinais


"O caderno foi criado visando atender a uma demanda advinda dos profissionais dos Centros de Socioeducação que se deparam com a difícil tarefa de lidar com a questão do suicídio. No material apresentado buscamos abordar, de forma prática, os possíveis sinais precursores do suicídio e suas respectivas condutas de ajuda".

"O suicídio refere-se a um tipo de comportamento no qual o adolescente busca encontrar uma solução para um problema existencial, atentando contra a própria vida. Trata-se de um fenômeno que vem crescendo nos últimos anos. Diante desse fato, persiste a dúvida sobre o motivo pelo qual leva os jovens a interromperem bruscamente suas vidas, num ato de desespero.
A explicação da causa do suicídio não se deve a um único fator, devendo-se considerar a história pregressa, os problemas e os conflitos anteriores. Pode se tratar de um acúmulo anterior de problemas que atinge o ponto culminante na adolescência". 


"Na adolescência, ocasionalmente, podem aparecer ideias suicidas, uma vez que fazem parte do processo de desenvolvimento de estratégias, que acontece na infância e na adolescência, para lidar com problemas existenciais como, por exemplo, compreender o sentido da vida e da morte. A questão torna-se preocupante quando o suicídio passa a ser a única alternativa para suas dificuldades. Who (2002) citado por Werlang et al. informa que a intensidade desses pensamentos, sua profundidade, duração, o contexto em que surgem e a impossibilidade de desligar-se deles é que são fatores que distinguem um jovem saudável de um que se encontra à margem de uma crise suicida".


(Curitiba, 2010).



http://ens.sinase.sdh.gov.br/ens2/images/Biblioteca/Livros_e_Artigos/cadernos_de_socioeducao/CADERNOS%20DE%20SOCIOEDUCA%C3%87%C3%83O.%20Interna%C3%A7%C3%A3o%20e%20suic%C3%ADdio.pdf


domingo, 8 de abril de 2018

Leu um post suicida nas redes sociais? Saiba o que fazer

Helena Bertho

Do UOL, em São Paulo

30/03/2017 

"O que eu faço?". A dúvida angustiada foi a primeira coisa que passou pela cabeça da tradutora paulistana Alessandra Siedschlag, 45 anos, ao ler no Facebook uma mensagem de despedida de Aline*. No post, a amiga de infância da tradutora deixava clara a intenção de se matar -"digam para minha filha que a amo", foi o trecho que mais lhe chamou a atenção. Dos 60 amigos na rede social, só mesmo Alessandra não ficou parada. Primeiro tentou ligar para Aline, que não atendeu o celular. Então chamou a polícia.

"Os policiais me informaram que eu deveria estar junto quando a viatura chegasse ao prédio. Só que eu morava do outro lado da cidade e tive medo de não aparecer a tempo para evitar o pior", conta Alessandra, que pegou um táxi, desesperada. "Chegando lá, o síndico não queria autorizar nossa ida ao apartamento, nem permitir que a porta fosse arrombada". Depois de muita insistência, os policiais conseguiram subir e Aline foi encontrada no chão da sacada, desacordada. A tela de proteção da varanda do apartamento, no 13º andar, estava cortada.

"Ela foi levada para o hospital na própria viatura, não houve tempo nem para esperar uma ambulância. Lá foi atendida e sobreviveu", recorda Alessandra, aliviada. "No dia seguinte, a Aline me agradeceu. Contou que havia sido um ato de desespero.

Quem quer mesmo se matar manda aviso? 

Mensagens como as de Aline vêm se tornado cada vez mais comuns nas redes sociais. São postagens em tom de desabafo, que sugerem a intenção de suicídio. Só este mês, três casos como o da amiga de Alessandra ganharam a mídia: dois em Santa Catarina e outro no Piauí. Felizmente, em todos o socorro chegou a tempo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, um brasileiro comete suicídio a cada 45 minutos. No entanto, de acordo com o levantamento, 90% dessas mortes poderiam ser evitadas, se o resgate acontecesse em tempo hábil. Por isso, mensagens assim nunca devem ser ignoradas.    "Existe um mito de que quem realmente quer se matar não manda aviso. Mas todo comentário de suicídio deve ser levado a sério", explica a psicóloga Karen Scavacini, do Instituto Vita Alere, de prevenção ao suicídio. "Em alguns casos, talvez seja mesmo um pedido de atenção. Mas é, sobretudo, a comunicação de um sofrimento extremo, que não deve ser desprezada."

Mas tomar uma atitude, como fez Alessandra, nem sempre é fácil. Muitas pessoas se vêm paralisadas ao ler um post suicida no Facebook. "É comum ter medo de invadir a privacidade do outro, especialmente se aquele 'amigo virtual' não é tão próximo assim na vida real. Ou ainda ouvir que a pessoa quer mesmo se matar e não saber o que fazer", afirma Karen.

Mas o que eu posso fazer? Se um amigo, parente ou conhecido indicou nas redes sociais que está pensando em tirar a própria vida, a primeira atitude que você deve ter é tentar conversar. "Pergunte o que está acontecendo, se ela precisa de ajuda. Esteja preparado para ouvir coisas que nem imagina, sem julgar ou criticar", diz a voluntária o Centro de Valorização da Vida (CVV), Adriana Rizzo. "É importante que isso seja feito de maneira privada, sem expor a pessoa em comentários ou postagens públicas. Dependendo da sua proximidade com aquela pessoa, ligue para ela."

Quando se sente sozinho, alguém com problemas sérios e disposto a cometer o pior, não vê saídas. "Conversar com alguém pode ajudar a diminuir a ansiedade e a angústia", ressalta Adriana, que também orienta a não se afastar da pessoa depois dessa primeira conversa. "Nunca diga que a pessoa é louca, não duvide do que ela diz, não sugira que vai passar, não compare o problema dela aos seus".   

Além disso, contar uma história sua similar, que seja positiva, pode ser bom. Segundo a psicóloga, "isso pode trazer uma sensação de compreensão e de acolhimento. Mas não diga que o jeito que você fez que é o certo, apenas deixe claro que as coisas podem dar certo". As especialistas também orientam a nunca manter sigilo e avisar pessoas próximas para que também ajudem.    

Quando a ação deve ser rápida 

Em alguns casos, como o da amiga de Alessandra, é preciso tomar uma atitude mais imediata. Algumas mensagens deixam claro que a pessoa está prestes a agir e agora os vídeos ao vivo também tem sido feitos dos preparos do potencial suicida.   No caso de uma publicação em texto, ligue para a pessoa para checar como está. Caso ela não atenda, acione familiares ou amigos que morem próximos para que possam chegar junto com a polícia e os bombeiros. Já no caso dos vídeos, não é preciso checar com a pessoa como está. Na hora acione a emergência e vá até o local, ou peça para alguém ir.

O próprio Facebook conta com ferramentas para ajudar nesses casos. Ao ver mensagens que indiquem tendências suicidas ou de automutilação, você pode clicar em "denunciar publicação", em seguida selecionar "acredito que não deveria estar no Facebook", para, por fim, escolher a opção relacionada a suicídio. Ao fazer isso, o autor da publicação receberá uma mensagem dizendo que um amigo está preocupado e oferecendo algumas opções de ajuda, entre elas o contato do CVV e dicas do que fazer. 

Já quando você se deparar com um vídeo ao vivo que indique a intenção de suicídio, ao fazer a denúncia as imagens vão diretamente para análise de um funcionário do Facebook que entra em contato com as autoridades responsáveis. Foi através desse mecanismo que, no último dia 8, a polícia de Santa Catarina conseguiu impedir a morte de um mecânico desempregado, que foi encaminhado para atendimento psiquiátrico e com a assistência social.

"Esse homem fez um vídeo ao vivo em que dizia que ia se matar. O Facebook identificou e entrou em contato com a polícia americana, que nos procurou. Nós então fizemos uma busca por informações do homem e encontramos seu endereço. Acionamos a polícia miliar da cidade em que vive, e conseguimos chegar até ele a tempo de impedir que ele se enforcasse", conta o agente de polícia Ivan Castilho, que participou da ação.




domingo, 18 de março de 2018

O primeiro ano do resto das nossas vidas __________ No moblidis


"14/03/2018.

Hoje completa um ano que um terremoto abalou as estruturas de nossas vidas, sacudiu o nosso chão, rachou as paredes e nos deixou sem teto.

Poderíamos chamar de tsunami, de furacão, mas enfim, uma tragédia chamada suicídio, que levou a vida de uma moça de 19 anos, nossa filha. E que nos obrigou a viver uma nova vida, uma vida que nunca pensaríamos um dia ter que viver.

Descobrimos que a dor de se perder um filho é imensurável e que dizer que um dia isso será superado e que o tempo cura tudo não é verdade.

Mas enfim, hoje refletimos sobre tudo que aconteceu, desde a hora que recebemos a notícia da  morte até este momento que eu Terezinha escrevo estas linhas em meu nome e em nome do Joseval.

Nestes últimos 365 dias, tivemos a certeza de que o amor é o único sentimento que permanecerá além da vida e que ele deverá sempre ser cultivado. Marina foi muito amada, mas infelizmente a depressão não a deixava ver o quanto, ela teve a certeza disso no seu último dia de vida quando voltou do coma, mas já era tarde.

Refletimos que  por mais que tenhamos feito todo o possível para ajudá-la, por mais que quiséssemos que ela estivesse aqui, não temos o controle da vida de ninguém e que ninguém é doente por que quer e nem sempre a cura chega.    

E que neste último ano,  envelhecemos muito, não só no aspecto físico mas em maturidade, e que nosso entendimento sobre vida e morte é bem diferente de uma ano atrás, a religiosidade e a fé também.

Descobrimos que amigos não sabem o que dizer e ao nos deixar sozinhos a amizade fica abalada e por mais que tentamos, não volta a ser a mesma.

E que pessoas que pareciam distantes, se aproximaram e que esse aconchego foi primordial para que nossa jornada se tornasse menos dolorida. E que pessoas que amamos, mesmo estando longe fisicamente, transmitem uma energia sem igual.

Descobrimos que só quem passa pelo mesmo sofrimento vai entender o seu, só quem sente a mesma dor vai compreender que o tempo pode passar, mas que a ferida está lá sempre aberta e não vai se sentir desconfortável se chorarmos e nem cobrar uma força que não temos.

Que a vida nos apresentou novos amigos que nunca gostaríamos de ter conhecido, pois infelizmente devido ao suicídio de nossos entes queridos nossa amizade está sendo construída.

Descobrimos que há profissionais de excelência que fazem toda a diferença, voluntários que se dispõe a ajudar, a ouvir, a acolher e há líderes religiosos que se calam e viram as costas para quem precisa de uma palavra de consolo.

E que precisamos de muitos profissionais da área da saúde mental, psiquiatras  e psicólogos especialista em depressão, suicídio e luto e principalmente de profissionais da área da saúde mais humanos.

Refletimos e chegamos a conclusão de que não somos obrigados a aturar pessoas que se acham imunes as mazelas da vida, que são insensíveis  e que podemos até ter laços de parentesco, laços comerciais, mas que são materialista e egoístas demais e que cortar esses laços foi preciso para manter a nossa sanidade.

Descobrimos que não somos guerreiros, somos sobreviventes em uma vida cheia de conflitos, mas que não escolhemos entrar nestes conflitos, fomos jogados neles e que apenas nos defendemos com as armas que nos foram dadas.

Descobrimos que o mais difícil de tudo é não ter a presença física de nossa filha, que sua ausência é sentida todos os dias mas que apesar de tudo que aconteceu nossa família permanece unida. Que as lindas lembranças que ela deixou  são muito mais importantes do que a forma como ela se foi e que o sorriso dela nos fará sempre lembrá-la com carinho e com muito amor e que ela viverá em nós, enquanto estivermos vivos. 

E com isso concluímos que o primeiro ano do restos de nossas vidas foi difícil e que os outros  continuarão a ser, mas que com a ajuda de muitos e tentando ajudar outros conseguiremos seguir em frente".





domingo, 4 de março de 2018

“Tentei me matar porque não via saída, mas hoje percebo que ela sempre existiu”

Uma adolescente de 16 anos fala sobre os motivos que a levaram a tentar tirar a própria vida aos 14 anos e conta como conseguiu superar a angústia que vivia

Ana* tinha 14 anos quando, numa noite, esperou a família dormir, foi ao armário da cozinha onde estavam guardados os remédios e tomou uma porção deles de uma única vez. Hoje, com 16 anos, ela conta o que a motivou a tentar tirar a própria vida e como conseguiu superar a angústia que vivia.


"Eu estudava em uma escola aqui do bairro desde criança. Tinha o mesmo grupo de amigos e a mesma vida desde sempre. Um dia, tive uma briga com uma das meninas, que também era minha vizinha do prédio. Acabou envolvendo nossas mães. A mãe dela veio aqui em casa, me xingou. A minha mãe, depois, foi lá brigar com a mãe dela. Ficou um clima horrível e eu não queria mais ser amiga desse grupo de meninas da escola. Não via mais sentido. A gente sempre brigava e eu ficava sem amigos. Ficava naquele mundinho do colégio pequeno, do meu bairro.

Aí eu tive a ideia de mudar de escola, para conhecer novas pessoas. Só que eu estava há tanto tempo naquele colégio, naquele mundo, que fiquei sem saber como lidar com o novo colégio, com as novas pessoas. Eu acho que não tinha maturidade suficiente e tal. Mas eu quis mudar e mudei. No primeiro dia de aula eu cheguei nervosa. O colégio era grande e o tratamento era muito diferente. Cheguei na sala e era um grupinho fechado, todo mundo se conhecia há muito tempo e eu não sabia o que fazer. Acabei ficando sozinha, isolada. Eu odiei. Fui tentando me enturmar, mas era difícil porque eu não tinha a intimidade que tinha com as outras amigas. Todos os meus amigos estavam no meu antigo colégio e eu estava sozinha, vendo todo mundo com amigos e eu não. Eu sempre falava no WhatsApp com as meninas do antigo colégio e elas falavam que lá estava super legal, que eu tinha que estar lá. E comecei a encher o saco da minha mãe para voltar para o outro colégio. Meus pais ficaram muito estressados e o estresse deles me estressou também.

No fim acabamos indo conversar no colégio aqui do bairro e minha mãe decidiu que eu ia ficar ali. Mas logo no primeiro dia de aula eu acordei e me vi na mesma situação de antes. E eu já estava me sentindo sufocada, desesperada e não quis ir. Minha mãe surtou, começou a gritar e disse que não tinha mais volta. Me fez levantar à força e eu fui. Chegando lá eu não conseguia prestar atenção na aula e vi que não fazia mais parte da vida daquelas amigas. Fiquei o dia todo só com um amigo. Tive certeza que não queria aquilo. Voltei para minha casa chorando e falei que eu não queria mais ficar naquele colégio. Mas minha mãe não quis me mudar outra vez. Me senti muito pressionada e entrei  em desespero. Não sabia o que fazer mais. Não via mais saída. Falei: Não tem outra opção. Eu não quero mais isso. Se for para viver assim eu não quero mais viver. Eu me vi numa situação sem caminho, sem outra opção e não sabia como lidar com aquilo. Eu achava que nunca ia passar.

Comecei, então, a usar meu celular para procurar os remédios que eu devia tomar. Comecei escrever umas cartinhas, uns poemas e deixei embaixo do meu travesseiro. Quando estava todo mundo dormindo, eu levantei, fui até a cozinha, peguei os remédios, tomei e dormi. Quando eu acordei, estavam me segurando no colo, desesperados e chorando. Me levaram até o hospital. Os funcionários olhavam para a minha cara, tipo pensando: "que menina louca". Porque é assim que o povo pensa. O povo sai julgando. Eu fiquei lá tomando soro, para hidratar. Eu já não estava sentindo mais nada. 

Meus pais decidiram me deixar voltar para o colégio novo e me colocaram na terapia. A primeira sessão foi muito ruim. Foi com a família inteira. Minha mãe chorava muito. Tava todo mundo num clima muito pesado, triste. Minha mãe contou o que aconteceu para a psicóloga e eu me senti culpada na hora, pensando no que eu tinha feito. Que eu tinha levado a desgraça para a minha família. Mas na segunda sessão eu já fui sozinha e a doutora foi falando os assuntos de psicóloga, sabe? E ajudando. Como eu não conhecia ela, eu me abria. E ela foi me ajudando aos poucos a cada vez mais me abrir com as pessoas. E foi melhorando a minha situação no colégio. As pessoas foram se aproximando mais.

A terapia foi me ajudando. A minha mãe foi prestando mais atenção em mim. Porque com tudo isso que estava acontecendo eu via minha mãe se afastando cada vez mais. Porque ela só ficava brava comigo porque ela estava nervosa e não sabia o que fazer. Eu me sentia sem ninguém. Meu pai já estava de saco cheio, minha irmã não sabia como ajudar. Eram várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Eu sempre brigava com a minha mãe. Eu não sabia como lidar com os meninos, me achava feia. Eu não sabia como lidar com nada.

Fui melhorando aos poucos. Fui conhecendo novas pessoas, minha autoestima melhorou. Hoje eu tenho muitos amigos, sei quem são meus amigos de verdade e dou graças a Deus de ter saído daquela escola, daquela vida. Depois meus pais ficaram sem dinheiro e eu tive que mudar para outro colégio mais barato. Eu chorei porque não queria. Só que dessa vez foi diferente. Foi muito mais fácil. Na segunda semana eu já estava fazendo amigos. Hoje eu já sei lidar com essa situação. Essa mudança foi super de boa, me adaptei rápido. Estava mais preparada, mais madura.

Vi a série 13 Reasons Why. Eu não me identifiquei porque eu não sofri bullying. Mas eu entendo a menina porque muitas coisas levaram ela a fazer aquilo. Ela se viu sem saída, como eu me vi também. Todo mundo achava horrores dela e ela não conversava com os pais sobre a situação. Ela ficava presa naquilo e se sentiu meio que sem opção. Eu soube do jogo Baleia Azul pelas notícias. Nunca procurei saber porque acho que quando você vai atrás dessas coisas só atrai energia negativa. Mas uma amiga minha do colégio disse que no prédio dela tem uma amiga que recebeu uma mensagem dos caras do jogo, falando que ela foi convocada para jogar e que se ela não jogasse iam matar os pais dela. Mandaram a localização do prédio dela e tudo. Ela ficou assustada. Falou para a mãe dela e bloqueou o cara que mandou a mensagem. Se fosse eu, hoje em dia eu teria falado para a minha mãe e ido na polícia. Não sei em épocas passadas o que eu faria, porque eu estava mal com a situação.

Hoje, se um amigo meu me falasse que pretende se matar eu diria para ele não fazer isso. Contaria a minha experiência, que foi péssima. E diria que tudo o que ele está passando é passageiro. Isso não vai ficar para a vida inteira e que ele tem muita coisa para viver ainda. Diria para ele conversar com os pais dele, mesmo sabendo que adolescente tem cabeça no mundo da lua e que ele não ia falar para os pais. Acho que eu mesma ia arrumar um jeito de ligar para os pais dele e falaria: "olha, seu filho está com tal pensamento e acho que você devia conversar com ele. Ele está passando por um momento complicado. E você, como pai, não tem que criticá-lo. Tem que chamar, conversar e ver o que pode ser feito". Acho que eu faria isso. Porque não tem necessidade disso. Agora eu olho para o que aconteceu e falo: para quê? Mas eu sei que era porque eu me via sem saída. Hoje sou muito feliz com a minha vida.