Vídeo do Instituto Vita Alere.
domingo, 13 de outubro de 2019
domingo, 6 de outubro de 2019
Biblioterapia e suicídio
A leitura sempre foi uma das minhas maiores paixões. No dia 21 de setembro de 2019, apresentei no III Simpósio Paulista de Prevenção e Posvenção do Suicídio uma fala sobre como tenho utilizado livros para compreender e trabalhar com o comportamento suicida e com o luto por suicídio.
Quando comecei a estudar sobre o comportamento suicida, encontrei muitos manuais que traziam um conhecimento teórico e científico sobre o assunto. Estas informações me ajudaram a entender o suicídio como resultado de múltiplos determinantes, embora quase sempre o foco fosse no transtorno psiquiátrico. Mas foi na literatura ficcional e autobiográfica que eu pude encontrar experiências e narrativas parecidas com o que eu ouvia dos usuários do CAPS no qual eu trabalhava. Para além do sofrimento psiquiátrico, havia a história de vida, encontros e desencontros, sonhos e frustrações nas narrativas das personagens e dos meus pacientes. Compreendi que os dois tipos de materiais complementavam-se e me ajudavam a entender de forma mais ampla e intervir com mais qualidade neste tipo de sofrimento.
A ligação entre suicídio e literatura é bem estreita desde que Goethe escreveu “Os sofrimentos do jovem Werther”, em 1774. No romance, o jovem Werther se apaixona por uma moça e, diante da impossibilidade de ser correspondido, Até hoje, quando falamos no efeito contágio, falamos no “efeito Werther”.
No artigo “A importância da Biblioterapia no tratamento da depressão”, Isabela Lustosa Pereira, no seu TCC para Bacharel em Biblioteconomia (2016, disponível em http://www.unirio.br/unirio/cchs/eb/arquivos/tccs-2016.2/Isabela%20Lustosa%20Pereira.pdf) refere que a bilioterapia pode ser definida como “a terapia por meio de livros”, ou seja, uma leitura recomendada com fins terapêuticos.
No artigo “Reading books and watching films as a protective factor against suicidal ideation”, de Kassara-Kiritani e outros autores (2015, disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4690968), vemos que:
“Ler livros ou assistir filmes pode compensar a falta de apoio social se, por exemplo, o leitor puder se identificar de alguma forma com a narrativa, fatores situacionais ou protagonistas das histórias. Através desta identificação, os leitores ou observadores podem sentir-se menos sozinhos, ou podem aprender com essas mídias sobre estratégias de enfrentamento, estratégias de ajuda ou talvez aumentar sua disposição de discutir seus problemas com profissionais de saúde ou outros.
[...] Livros e filmes podem atuar como fontes de apoio social ou alfabetização em saúde mental e, assim, reduzir o risco de suicídio constituído por falta de pertencimento. Recomendamos que os jovens com baixo sentimento de pertencimento, em risco de comportamento suicida, possam ler livros e / ou assistir a filmes que possam ter efeitos preventivos [tradução nossa]”.
Diante disso, faço então algumas sugestões de leitura, lembrando que há muito material sobre o assunto:
- Para profissionais:
Crise suicida, de Neury Botega
Sinopse: Como nossas atitudes em relação ao suicídio interferem na prática clínica? Quais características pessoais e circunstâncias mais se associam ao suicídio? Como estimar o risco de suicídio? Quais as nuanças da relação empreendida com o paciente e sua família? Neste livro prático e acessível, Neury José Botega responde a essas e outras questões, sistematizando suas vivências diárias no atendimento a pacientes em crise suicida.
Histórias de sobreviventes de suicídio, do Instituto Vita Alere
Sinopse: Esse livro nasceu da dor e da esperança, da luta e da força, da tragédia arrebatadora e de achar que não havia outra opção. Nele, estão histórias do I Concurso Literário do instituto, com textos de pessoas que tentaram suicídio, que perderam seu ente querido por suicídio ou ainda profissionais que compartilham sua experiência diante do impacto de perder um paciente por suicídio.
Um crime da solidão, de Andrew Solomon
Sinopse: Do mesmo autor de “O demônio do meio-dia”, traz artigos que foram reunidos em livro pela primeira vez, numa edição exclusiva para o Brasil. Solomon reflete sobre casos recentes de suicídio de personalidades, como Anthony Bourdain, Robin Williams e Kate Spade.
- Para quem está em sofrimento:
Confissões de um adolescente depressivo, de Kevin Breel
Sinopse: Este livro é um guia para sobreviver à depressão ou entender melhor quem a enfrenta na adolescência, escrito por alguém que atravessou a escuridão e agora lança mão do seu estilo único para trazer luz e esperança à vida de milhões de jovens e adolescentes.
Razões para continuar vivo, de Matt Haig
Sinopse: O mundo de Matt Haig ruiu quando ele tinha pouco mais de 20 anos. Ele não conseguia achar uma maneira de continuar vivo. Essa é a história real de como ele passou pela crise, triunfou sobre a doença que quase o destruiu e aprendeu a viver novamente. Uma análise comovente e delicada sobre como viver melhor, amar melhor e se sentir mais vivo, Razões para continuar vivo é mais do que um livro de memórias.
Vidaa, de Victória Duarte e Monique Tassinari
Sinopse: As autoras constroem, em linguagem acessível, direta e ao mesmo tempo sensível e cuidadosa, uma ferramenta para lidar com a prevenção do suicídio, tema tão importante de ser encarado e discutido. É um auxílio para o leitor compreender que existem muitas soluções para o manejo da dor. São cinco passos para tentar mais uma vez e, assim, vencer mais um dia.
- Para adolescentes:
Por lugares incríveis, de Jennifer Niven
Sinopse: Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram.
Cartas de amor aos mortos, de Ava Dellaira
Sinopse: Prestes a começar o ensino médio, Laurel decide mudar de escola para não ter que encarar as pessoas comentando sobre a morte de sua irmã mais velha, May. A rotina no novo colégio não está fácil, e, para completar, a professora de inglês passa uma tarefa nada usual: escrever uma carta para alguém que já morreu. Laurel começa a escrever em seu caderno várias mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Elizabeth Bishop… sem nunca entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma.
O último adeus, de Cynthia Hand
Sinopse: É narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? “O último adeus” é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você.
- Para sobreviventes enlutados
Depois do suicídio, de Sheila Clark
Sinopse: Este é um livro extremamente valioso, e dará apoio e assistência àqueles que estão enlutados devidos à tragédia do suicídio. Mostra bom senso e proporciona cuidadosas orientações para ajudar as pessoas a retomarem seu caminho. Será também de grande valia para todos os envolvidos com o trabalho de apoio com enlutados. É um excelente recurso tanto para aqueles que sofreram uma perda como para os envolvidos em grupos de apoio.
E agora?, de Karen Scavacini
Sinopse: O suicídio é um evento trágico para toda a família. Crianças e adultos são extremamente impactados por essa morte e, muitas vezes, precisam de cuidados especiais. Conversar com uma criança sobre o que aconteceu e sobre como ela está se sentindo pode fazer grande diferença em seu processo de luto e na busca de uma nova forma de existir no mundo. Diminuir o estigma e tabu sobre o suicídio pode começar dentro de casa, com conversas francas, adequadas à idade e com o acolhimento do luto. Silenciar não significa resolver. O enlutamento é um processo e não um evento. Esse livro é único ao tratar desse tema: traz explicações, propõe exercícios e ajuda para crianças, pais, educadores e psicólogos nesse delicado percurso. A autora trata de uma forma simples, sensível, corajosa e cuidadosa um tema difícil, dolorido e cheio de tabus.
Sem tempo de dizer adeus, de Carla Fine
Sinopse: O suicídio parece ser o último tabu. Até mesmo o incesto é amplamente discutido na mídia, mas o suicídio de um ente querido ainda é um ato sobre o qual a maioria das pessoas é incapaz de conversar - ou até mesmo de admitir para os familiares e amigos mais próximos. Essa é uma das muitas verdades dolorosas e paralisantes que a autora Carla Fine descobriu quando seu marido, um jovem e bem-sucedido médico, tirou a própria vida em dezembro de 1989. Sentir-se incapaz de falar aberta e honestamente sobre a causa de sua dor tornou a sua sobrevivência ainda mais difícil. Sem tempo de dizer adeus trata sobre os devastadores sentimentos de confusão, culpa, vergonha, raiva e solidão que são compartilhados pelos sobreviventes e oferece um auxílio poderoso e uma orientação valiosa para os familiares e amigos que são deixados para trás e que lutam para dar sentido a um ato que lhes parece não ter sentido, e para juntar os pedaços de suas próprias vidas despedaçadas.
É importante pensar em cinco passos para o uso da biblioterapia no comportamento suicida ou no trabalho com sobreviventes enlutados:
1. Selecionar o livro de acordo com o tema (por exemplo: depressão, comportamento suicida, luto por suicídio), faixa etária ...
2. Compreender a situação que o sujeito está enfrentando (momento - ele está preparado para esta leitura?, identificação - o personagem apresenta algumas semelhanças com o leitor?, concentração - o leitor atualmente consegue se concentrar o suficiente para a leitura?) ...
3. Ler o livro antes para verificar se ele apresenta em seu enredo o enfrentamento e a solução para o problema, oferecendo esperança e suporte. Verificar se o livro traz alguma situação que na verdade pode ser um gatilho ao invés de ajudar.
4. Depois da leitura: facilitar o processo de compreensão, discutir como foi, quais pontos chamaram a atenção, aspectos em comum e divergentes na história ...
5. Considerar que a biblioterapia é uma ferramenta dentro de um processo maior, dentro da terapia.
No site do Vita Alere (www.vitaalere.com.br) estão disponíveis muitos outros livros relacionados à esta temática. Você também pode acompanhar minhas leituras pelo instagram @a.biblioteca.da.psicologa.
sábado, 28 de setembro de 2019
Artigo: Ler livros e assistir filmes como um fator de proteção contra a ideação suicida
Eu amo ler, quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por livros (tenho até um Instagram só para as minhas leituras: https://www.instagram.com/a.biblioteca.da.psicologa/).
Amei ler sobre esta pesquisa: Kashara-Kiritani e outros autores (2015) fizeram um estudo com 3256 jovens para investigar se livros e filmes poderiam ser fatores de proteção para ideação suicida grave.
De acordo com os autores, uma quantidade substancial de pesquisa foi conduzida sobre a
relação entre comportamento suicida e consumo de várias formas de mídia, como
jornais, televisão, cinema, música, literatura e, nos últimos anos, diferentes
tipos de plataformas de comunicação na Internet. A grande maioria das pesquisas
se concentrou na imitação, ou contágio, conhecido como “efeito Werther”, isto
é, que a cobertura da mídia sobre o suicídio pode desencadear um comportamento
suicida real em indivíduos vulneráveis nas audiências. Alguns estudos também
investigaram se as recomendações da mídia sobre relatos responsáveis de casos
de suicídio têm uma influência protetora, conhecida como o “efeito papageno”,
sobre os consumidores. Niederkrotenthaler, Voracek realizou estudos que
indicam esse tipo de efeito preventivo. Não surpreendentemente, esses tipos de
estudos sobre os efeitos da mídia no suicídio concentram-se principalmente na
mídia que relata um tema específico do suicídio. No entanto, os efeitos
relacionados ao suicídio do consumo mais geral de mídia, como a leitura de
livros ou a exibição de filmes com temas não específicos, são em grande parte
desconhecidos.
Os fatores de proteção são menos freqüentemente o foco
de pesquisas sobre suicídios de jovens em comparação com fatores de risco. As
percepções de pertencimento dos adolescentes demonstraram estar relacionadas à
depressão, rejeição social e problemas escolares, bem como à tendência suicida,
provavelmente devido à falta de apoio social. Neste estudo investigou-se se a
leitura de livros e a exibição de filmes podem constituir um fator de proteção
em adolescentes que se sentem excluídos. Evidências mostram que a quantidade de
leitura impacta nas habilidades sociais, bem como na participação da comunidade.
Ler livros ou assistir filmes pode compensar a falta de apoio social se, por
exemplo, o leitor puder se identificar de alguma forma com a narrativa, fatores
situacionais ou protagonistas das histórias. Através desta identificação,
os leitores ou observadores podem sentir-se menos sozinhos, ou podem aprender
com essas mídias sobre estratégias de enfrentamento, estratégias de ajuda ou
talvez aumentar sua disposição de discutir seus problemas com profissionais de
saúde ou outros.
A contribuição da mídia para a mudança comportamental pode
ser explicada de várias maneiras. Parece
plausível que a leitura de livros ou a exibição de filmes possa, até certo
ponto, compensar a falta de contato social. É possível que essas atividades
atuem como um fator de proteção contra a ideação suicida, fornecendo apoio
social: os adolescentes podem se beneficiar de relacionamento saudável com seus
pares, ganhando modelos, apoio emocional ou motivacional, senso de
pertencimento, etc. , através de afiliação e identificação. Esses mesmos
processos (isto é, afiliação e identificação) também podem estar direcionados a
modelos positivos nos personagens livro / filme. Outras explicações plausíveis
podem ser que livros e filmes funcionam como uma fuga, ou se afastam dos
estressores cotidianos, e servem como ferramenta para desenvolver melhores
habilidades de enfrentamento do estresse, através de um aumento na
alfabetização em saúde mental, por exemplo, como personagens de livros e filmes
lidam com problemas diferentes.
Pesquisas futuras podem querer explorar motivações para os
alunos se envolverem em ler ou assistir a filmes para apoiar ainda mais as
teorias potenciais propostas neste artigo, por exemplo, foi o motivador uma
forma de evitar / escapar, ou um desejo de "pertencer"; o conteúdo da
própria mídia, que estava além do escopo deste estudo, também pode fornecer
alguma luz para fornecer explicações. O mecanismo específico por trás dos
efeitos de ler livros e assistir a filmes, em relação à tendência suicida,
precisa de mais investigações. Mais estudos são necessários para especificar o
alvo de pertencimento.
Conclusões
Livros e filmes podem atuar como fontes de apoio social ou
alfabetização em saúde mental e, assim, reduzir o risco de suicídio constituído
por baixo senso de pertencimento. Recomendação de que os alunos com baixo
sentimento de pertencimento, que estão em risco de comportamento suicida, devem
ler livros e / ou assistir a filmes que possam ter efeitos preventivos.
domingo, 22 de setembro de 2019
Cartilhas "Prevenção do Suicídio na Internet"
Nós do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio desenvolvemos duas cartilhas sobre prevenção do suicídio na internet: uma voltada para adolescentes e outra para pais e educadores.
Para fazer o download gratuito acesse o nosso site e clique em "Materiais" > "Cartilhas e Manuais":
As cartilhas tem o apoio da Safernet Brasil, Google Brasil e UNICEF.
#suicidio #prevenção #internet #paisefilhos #educadores #setembroamarelo
domingo, 15 de setembro de 2019
Vídeo: O que é o suicídio?
Repost @vitaalere
No ar!! #VocêSabia - episódio 1
No episódio de hoje do #vocêsabia vamos esclarecer "O que é o suicídio", pois muitas pessoas tem dúvidas sobre esse assunto.
Essa série vai responder as dúvidas mais comuns a respeito do tema e é voltada à prevenção, ao acolhimento e à busca por ajuda.
Nós do Instituto Vita Alere temos trabalhado desde 2013 de forma ética, responsável e comprometida com a prevenção e posvenção do suicídio.
Nos siga nas redes sociais para mais informações:
Instagram: @vitaalere
Facebook: Instituto Vita Alere @vitaalere
www.vitaalere.com.br
domingo, 8 de setembro de 2019
90% dos suicídios poderiam ser evitados?
Esta é uma informação muito divulgada, mas incorreta.
Compartilho com vocês um texto do Nomoblidis:
"90% dos suicídios poderiam ser evitados
Mas não é bem assim!
Você acabou de perder alguém que ama por suicídio e está arrasado e ao procurar informações sobre o tema dá de cara com a seguinte afirmação:
"90% DOS SUICÍDIOS PODERIAM SER EVITADOS"
Com certeza você que já está se sentindo péssimo, ficará pior.
Vamos explicar o porquê dessa afirmação.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera que 90% dos suicídios poderiam ser evitados MAS para isso, bastaria que a pessoa recebesse ajuda adequada.
Suicídio é um TABU
Porém, como essa pessoa vai receber ajuda se o tema é um TABU, e ninguém fala sobre isso? Ela saberá que existe uma saída? Que o suicídio não é a única opção? Que ela não precisa se sentir estigmatizada ou envergonhada por pensar sobre? As pessoas que convivem com ela saberão identificar os sinais e como oferecer apoio?
Também existe o componente religioso, que contribui para reforçar o TABU, principalmente na cultura Cristã que acredita que a vida é um dom divino dada por Deus, e que só por Ele pode ser retirado. Ninguém tem autonomia para tirar a própria vida, o que contribui muito para que o suicida não peça ajuda, por medo de ser considerado um pecador e uma pessoa sem fé.
Há ainda a questão dos problemas como depressão e outros distúrbios mentais, como a ansiedade, serem tratados como frescura, e que a pessoa só quer chamar a atenção ou é fraca, não tem força de vontade e ou preguiça. Esse tipo de julgamento só faz com que quem precise procurar ajuda psiquiátrica e psicológica, sinta vergonha e a afasta da ajuda necessária.
Você não tem culpa
Então caro enlutado, não fique se achando a pior pessoa do mundo por não ter evitado o suicídio do seu ente querido, você não teria como ter ajudado se não possuía as informações necessárias e não fazia ideia de como agir.
Por isso precisamos falar sobre o suicídio pois não tratar o problema não faz com que ele desapareça, ao contrário apenas permite que ele cresça no escuro. E este deve ser primeiro passo para que realmente os 90% dos suicídios possam ser evitados.
Um dos maiores especialista em Suicidologia, professor da Unicamp, Dr. Neury Botega se pronunciou sobre isso:
"Não sei de onde a O.M.S. - Organização Mundial de Saúde tirou esse número"'.
Veja este texto e o vídeo com o Dr. Botega no Programa do Bial falando sobre isso em:
domingo, 1 de setembro de 2019
Artigo: Grupo de Apoio aos Enlutados pelo Suicídio: uma experiência de posvenção e suporte social
É com muita alegria que compartilho o artigo que eu, Karen Scavacini e Elis Regina Cornejo escrevemos e foi publicado hoje pela revista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer.
O trabalho foi publicado no Dossiê Suicídio, seus sentidos histórico-sociais e o sofrimento humano hoje.
Resumo
O tabu e o estigma produzidos culturalmente em torno do suicídio impõem interdições e sanções no processo de luto dos sobreviventes do suicídio, o que implica em uma dificuldade na simbolização da perda, devido ao não reconhecimento e validação social desse tipo de morte. Estas características particulares denunciam a falha de suporte social ao sobrevivente enlutado por suicídio que pode contribuir com o intenso sofrimento vivido e para a complicação na elaboração do luto. O presente artigo tem como finalidade apresentar um relato de experiência de pósvenção do suicídio com o Grupo de Apoio aos Enlutados pelo Suicídio, abordando a importância deste espaço para a promoção de um suporte social que habitualmente é frágil ou inexistente no processo de luto destes sobreviventes por suicídio. Esta experiência evidencia o grupo de apoio como um importante espaço para elaboração do luto por suicídio, onde o pesar e o sofrimento são expressos e validados, possibilitando que os enlutados possam encontrar um lugar de fala e pertencimento entre os pares.
Palavras-chave: Luto; Sobreviventes; Grupos de apoio; Suicídio
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