domingo, 16 de fevereiro de 2020

Quase 65% dos casos de suicídio em Santos foram de pessoas com mais de 50 anos

Matéria do jornal A Tribuna de 31 de janeiro de 2020, da qual participei:


Quase 65% das notificações de suicídio registradas pela Prefeitura de Santos em 2019 envolviam vítimas com mais de 50 anos. Foram 14 casos de pessoas nesta faixa etária que tiraram a própria vida, de um total de 22 casos [notificados] no ano passado (equivalente a 63,6%). Mas, segundo especialistas, é provável que o número seja maior, já que o suicídio continua sendo um tema tabu, e a subnotificação ainda é grande.

"No Brasil, os dados de suicídio entre idosos são maiores [proporcionalmente, e não em números absolutos] do que entre adolescentes e jovens adultos, embora a gente ouça falar muito sobre suicídio entre os mais novos", afirma a psicóloga Luciana Cescon.

Ela destaca que o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Governo Federal, revela que a taxa de suicídio entre pessoas com mais de 70 anos é a maior do país: 8,9 para 100 mil habitantes. Na verdade, uma realidade não só nacional, mas uma tendência mundial.
A psicóloga diz entender que esses números é também reconhecer a complexidade do tema. "Ainda é comum escutarmos que os suicídios têm aumentado porque essa nova geração não sabe lidar com a frustração. Mas a questão é muito mais profunda".

No caso dos idosos, Luciana alerta que o problema muitas vezes está relacionado à dificuldade de acesso ao serviço de saúde [principalmente, saúde mental], doenças crônicas [que podem gerar sofrimento, dor e a sensação de estar dando trabalho para os outros] e a perda de entes queridos. Tudo contribui para o sofrimento emocional. "Por isso, ao considerarmos que a Baixada Santista tem um número importante de idosos, faz sentido ficarmos atentos".

O coordenador do Centro de Valorização da Vida (CVV), Renato Caetano, conta que pessoas mais velhas procuram o serviço exatamente para falar de assuntos como os companheiros que se vão e a perda do vigor físico. "Tudo isso contribui para um isolamento maior". Porém, de modo geral, afirma, cada um precisa de atenção e de apoio, independente da faixa etária.

Subnotificação
Estudos mostram que, no atendimento a casos de suicídio, alguns podem ficar escondidos sob outras determinações de morte. Por exemplo: acidentes, causas desconhecidas ou envenenamentos. Por isso, as subnotificações ainda são grandes. Fora a dor.
"Comunicar a morte por suicídio é doloroso e difícil para qualquer um. Suicídio é um tabu de difícil transposição", avalia Caetano.
Até por isso, Luciana garante que um ponyo que precisa de atenção é em relação aos cuidados a quem perde alguém por suicídio, seja familiar, amigo ou professor. "As pessoas que sofrem o impacto desse fato também podem precisar de ajuda especializada. Muitas vezes, o próprio tabu faz com que elas não sejam acolhidas".

Por tudo isso, Luciana afirma que saúde mental e prevenção ao suicídio são problemas que exigem o envolvimento de toda a sociedade.
"É um assunto que envolve políticas públicas, capacitação para profissionais de saúde e educação, meios de comunicação, enfim, a sociedade em geral. Desmistificar o sofrimento emocional e garantir acesso aos cuidados em saúde mental para todos é fundamental".

Santos
À Reportagem, a prefeitura afirmou que a Secretaria de Saúde oferece permanentemente profissionais e atendimento na sua rede de serviços e diversas ações acontecem durante o ano, envolvendo usuários dos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS). Além de outras ações, também faz parceria com escolas, universidades e outras entidades, com foco principalmente no público jovem.

Onde procurar ajuda?
A rede de atenção psicossocial de Santos é formada por três níveis de atendimento no SUS: atenção básica (policlínicas), urgência/emergência e rede especializada de saúde mental (CAPS). Os CAPS podem ser procurados das 8h às 17h por quem tem transtorno mental grave ou faz uso abusivo de álcool e drogas. Confira os endereços:
- CAPS Zona Noroeste: Rua Bulcão Viana, 880 - Bom Retiro
- CAPS Centro: Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 236 - Macuco
- CAPS Praia: Av. Coronel Joaquim Montenegro, 329 - Ponta da Praia
- CAPS da Vila: Av. Pinheiro Machado, 718 - Marapé
- CAPS Orquidário: Av. Francisco Glicério, 661 - José Menino
- CAPS Álcool e outras drogas: Rua Silva Jardim, 354 - Macuco
- CAPS Álcool e outras drogas Infanto-Juvenil: Rua Campos Melo, 298 - Encruzilhada
- CAPS Infanto-juvenil da Zona Noroeste: Praça Maria Coelho Lopes, 395 - Santa Maria    
- CAPS Infanto-Juvenil #tamojunto: Av. Pinheiro Machado, 769 - Campo Grande

Outras opções:
Centro de Valorização da Vida (CVV), que atende pelo telefone 188 e chat disponível no site www.cvv.org.br
Grupo de apoio aos Sobreviventes Enlutados por suicídio do Instituto Vita Alere, com encontros agendados para os dias 10 de fevereiro, 13 de abril, 15 de junho, 17 de agosto, 19 de outubro e 14 de dezembro, das 18:30h às 20:30h, na Rua Barão de Paranapiacaba, 233, em Santos.   



domingo, 9 de fevereiro de 2020

Precisamos falar sobre saúde emocional na escola!



Vi esta imagem sendo compartilhada por um aluno do Ensino Médio e entrei na página original ... como vemos nesta imagem, o post foi compartilhado mais de 2.000 vezes (e o post no Facebook teve o mesmo número de compartilhamentos).

Embora o tom seja de humor, não deixa de existir um fundo de verdade na pressão que os adolescentes encontram ao longo destes três anos: conflitos da adolescência, descoberta do próprio corpo e sexualidade, cobranças pelo bom desempenho para garantir uma vaga em um curso superior, entre outros ... e o que parecem ser as saídas possíveis: a medicalização do sofrimento ("rivoltril e calmante"); a violência contra si ou o outro ("álcool ou arma"); e a aceitação do adoecimento ("camisa de força ou lenços de papel").

Tenho participado de rodas de conversa com adolescentes e é gritante o quanto eles precisam ser ouvidos e apoiados. Será que nós, adultos, temos levado a sério as queixas que eles trazem?

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, já em setembro de 2018:

"Em todo o mundo, estima-se que 10% a 20% dos adolescentes vivenciem problemas de saúde mental, mas permanecem diagnosticados e tratados de forma inadequada. Sinais de transtornos mentais podem ser negligenciados por uma série de razões, tais como a falta de conhecimento ou conscientização sobre saúde mental entre trabalhadores de saúde ou o estigma que os impede de procurar ajuda.

Os transtornos emocionais geralmente surgem durante a adolescência. Além da depressão ou da ansiedade, os adolescentes com essa condição também podem sentir irritabilidade, frustração ou raiva excessivas. Os sintomas podem se sobrepor em mais de um transtorno, com mudanças rápidas e inesperadas no humor e explosões emocionais. Os adolescentes mais jovens também podem desenvolver sintomas físicos como dor de estômago, dor de cabeça ou náusea.

Em todo o mundo, a depressão é a 9ª causa de doença e incapacidade entre todos os adolescentes, a ansiedade é a 8ª principal causa. Transtornos emocionais podem ser profundamente incapacitantes para o funcionamento de um adolescente, afetando o trabalho e a frequência escolares. A retirada ou a separação de familiares, colegas ou comunidade podem exacerbar o isolamento e a solidão. Na pior das hipóteses, a depressão pode levar ao suicídio".

Fonte: https://www.paho.org/bra/index.php…

Não basta criar um currículo escolar que prepara os jovens para o vestibular ou para o mercado de trabalho: é preciso também acolhê-los e tentar fortalecê-los para a vida. Os professores devem estar preparados para lidar com estas questões, sim! E eles também precisam de cuidado.

É necessário e urgente criar redes de cuidado em saúde mental, sim! Acompanhamento psicológico tem que ser acessível! Rodas de conversa sobre sofrimento emocional, bullying, autolesão, comportamento suicida e violência devem fazer parte do cotidiano da escola.

Compartilho mais uma vez o link para download gratuito das cartilhas que nós do Vita Alere elaboramos falando de prevenção do suicídio (uma para adolescentes e outra para pais e educadores).


- Psicóloga Luciana França Cescon


domingo, 2 de fevereiro de 2020

A importância do apoio social no comportamento suicida

Nos casos de pessoas com ideação suicida que acompanho no consultório e no meu trabalho no serviço público, tenho observado cada vez mais a importância do suporte da família e de amigos como um fator de proteção, dado que sempre aparece nos estudos relacionados a este tema.

Ressalto logo de início que isso não quer dizer que quando ocorre um suicídio completo ou uma tentativa de suicídio houve uma falha nesta rede de apoio. Como falamos sempre, o comportamento suicida é resultado de um conjunto complexo de fatores, que varia em cada caso. Nos grupos de apoio, sabemos de muitas histórias nas quais as famílias estavam muito próximas, acompanhando seus entes queridos em todos os atendimentos e tentando suprir todas as suas necessidades, e ainda assim, o suicídio aconteceu.

Porém, também sabemos que ainda há um estigma em relação ao sofrimento emocional e muitas vezes é difícil para as pessoas próximas lidarem e acolherem seus entes queridos quando há uma depressão intensa ou a expressão do desejo de morrer, por exemplo.

A importância:
De acordo com o Dr. Neury Botega, no livro “Crise Suicida – avaliação e manejo” (2015, p. 168):

“Quando a família entra em contato com a crise suicida de um de seus membros, há uma explosão de sentimentos e de reações, geralmente de natureza contraditória: preocupação, medo, raiva, acusação, frustração, banalização, esperança, culpa, disponibilidade, superproteção, cansaço, irritação e hostilidade. Ao mesmo tempo em que amigos e familiares se preocupam, eles podem se sentir muito desconfortáveis diante do comportamento do paciente. É normal a ambivalência, é normal não saber ao certo como agir, e também é normal dizer ou fazer algo para logo depois se arrepender”.    

Quase sempre, a primeira tentativa de ajuda vem em forma de conselhos que têm a intenção de fortalecer (“Não fale isso”; “Tenha força de vontade”; “Você não pensa no que isso vai fazer com as pessoas que te amam, que egoísmo!”; “Você tem que querer se ajudar”), mas podem acabar por fazer com que a pessoa que está em sofrimento sinta-se ainda mais incapaz ou culpada por não conseguir lidar com as situações de outra forma.

É importante lembrar que os profissionais de saúde também devem olhar para os familiares, seja no Pronto-Socorro, serviço de saúde mental ou clínica, orientando sobre os cuidados necessários (como o acesso a medicamentos e como ajudar a identificar alguns sinais de alerta), desmistificando o sofrimento emocional e encaminhando para o suporte adequado sempre que for indicado. Nos meus atendimentos, sempre existem sessões com esse objetivo, para pelo menos um familiar que o meu cliente escolheu, sempre com a presença deste, para que não existam mal-entendidos. Esta pessoa será a minha referência caso eu precise fazer um contato de emergência; nada mais justo que ela também seja cuidada e preparada para lidar com situações de crise da melhor forma possível.

Se você tem um familiar ou amigo que está passando por uma situação difícil, o primeiro passo é se aproximar e se colocar disponível para ouvir sem fazer julgamentos. No canal do Vita Alere no Youtube, você encontra o vídeo Como ajudar alguém que quer se matar e muitos outros que também podem ajudar.

Disponível em: 


domingo, 26 de janeiro de 2020

Vídeo: Te diria pra ser forte agora

"te diria pra ser forte agora. porque amanhã vai ser um dia de sol e luz pra você.
agora você não vê a luz,
muito menos sente que todos esses sentimentos
ruins vão passar. mas se você se atrever a abrir a janela e permitir que o vento abrace seu coração e leve tudo de pesado embora
eu te garanto que amanhã você vai conseguir respirar sem que doa.

te diria pra, caso não consiga ser forte, não se culpar pela fraqueza.
é que existem momentos em que a gente tá fraco mesmo. perna bamba. 
cabeça longe. pensamento mais longe ainda.
dias em que a única alternativa pra nossa dor, pra nossa mágoa, pra nossa tristeza
é uma cama confortável, que aceite nosso corpo sem fazer perguntas

dias em que a gente não quer
responder às perguntas dos amigos
muito menos ter que fingir não estar tudo bem

nesses dias, em que você se sentir assim, eu te peço: lembra do dia seguinte.
lembra que para todo fim há recomeços.
que para toda vez que você cair
haverão outras mil pra você levantar e enxergar que existe um imenso caminho
à sua frente.

um caminho, é verdade, com dias não tão bons. mas um caminho com dias tão felizes, tão cheios de alegria e tão plenos que você vai querer vivê-los sempre que possível

e no dia que não ser tão possível assim
eu desejo que você consiga admitir a si mesma que tudo bem a gente ter os dias cinzentos, porque precisamos deles pra
recuperar o fôlego, dar uma chorada
e recomeçar no dia seguinte.

recomeçar.
que é o mais importante aqui".

- Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente



domingo, 19 de janeiro de 2020

LEI Nº 13.968, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2019

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

LEI Nº 13.968, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2019

Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para modificar o crime de incitação ao suicídio e incluir as condutas de induzir ou instigar a automutilação, bem como a de prestar auxílio a quem a pratique.

O P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Esta Lei altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para modificar o crime de incitação ao suicídio e incluir as condutas de induzir ou instigar a automutilação, bem como a de prestar auxílio a quem a pratique.

Art. 2º O art. 122 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar com a seguinte redação:

"Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação

Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material para que o faça:

Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

§ 3º A pena é duplicada:

I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil;

II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real.

§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual.

§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código.

§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste Código." (NR)

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 26 de dezembro de 2019; 198º da Independência e 131º da República.

JAIR MESSIAS BOLSONARO
Damares Regina Alves
Este conteúdo não substitui o publicado na versão certificada.

http://www.in.gov.br/web/dou/-/lei-n-13.968-de-26-de-dezembro-de-2019-235563669?fbclid=IwAR0kDtNsF1YFZUgvXd3-DS-EXfs6Gla2IQj02IaP8tnyxoE-dIyAvCujJRQ




domingo, 12 de janeiro de 2020

Dica de leitura: “Confissões de um adolescente depressivo”

Texto que escrevi para o blog do Instituto Vita Alere 


Chegamos a mais um “Janeiro Branco”* e as discussões sobre saúde mental ganham força mais uma vez. Entre as diferentes pautas que surgem nesta época, a questão do sofrimento emocional de adolescentes é um dos destaques.
Pensando nisso, trago como sugestão o livro “Confissões de um adolescente depressivo” (Editora Seoman), no qual Kevin Breel escreve sobre sua experiência com a depressão e pensamentos suicidas.
Em 2013, aos 19 anos, Kevin participou de um TED (palestras que trazem diversos conteúdos) falando sobre isso e sobre a importância de quebrar o tabu sobre o sofrimento emocional. Entre tantas coisas interessantes que ele compartilha, chamou minha atenção quando ele diz que enquanto as pessoas viam um jovem que era capitão do time de basquete, o aluno que tinha as melhores notas e estava sempre em festas, na verdade ele enfrentava uma depressão e tinha pensamentos suicidas. 
 “Eu tinha medo de que as pessoas me vissem como eu realmente era, que eu não era o cara perfeito e popular do colégio que todos pensavam, que sob o meu sorriso, havia dificuldades ...”
Ainda hoje algumas pessoas têm uma visão estereotipada sobre o sofrimento emocional e também, infelizmente, ouvimos ainda comentários que invalidam a dor do outro, especialmente dos adolescentes, como “Essa geração é muito mimimi, os jovens de hoje são fracos e não sabem lidar com a frustração”. Isso só dificulta que as pessoas procurem a ajuda que precisam.
O conteúdo (que eu também recomendo) está disponível aqui: 


 - é possível ativar as legendas em português -  atualmente o vídeo está próximo de obter um milhão de visualizações. 

Acredito que relatos pessoais nos ensinam muito. No livro, Kevin fala sobre sua infância e adolescência, sobre eventos que o marcaram. E conta que foi justamente quando começou a escrever sua carta de despedida que percebeu o quanto estava precisando de ajuda: 

 “Às vezes você precisa mergulhar fundo na escuridão para conseguir apreciar a luz. Outras vezes você está profunda e perigosamente deprimido e precisa encarar isso. Precisa saber a diferença. Se não sabe, converse com alguém. Agora. E lembre-se: ninguém jamais viveu uma vida significativa dormindo o dia todo, preocupando-se à noite toda e morrendo de medo de contar a alguém sobre os próprios problemas” (p. 177).

Kevin conseguiu conversar com sua mãe e deu início ao processo de cuidado, no qual ele destaca a terapia e diz que, embora ainda passe por altos e baixos: 

“Eu sei o que é querer morrer. E agora posso dizer que de fato sei o que significa querer viver” (p. 223).  

Além da dica de leitura (e do vídeo), fica o convite para pensarmos em espaços de diálogo, escuta e acolhimento não apenas no “Janeiro Branco” ou no “Setembro Amarelo”, mas em todos os dias do ano.  

* Janeiro Branco: campanha criada em 2014 com o objetivo de  discutir e promover a importância dos cuidados em Saúde Mental. Saiba mais em: http://janeirobranco.com.br/projeto-janeiro-branco/

Publicado originalmente em: 



domingo, 5 de janeiro de 2020

Música

“Quando a dor e a solidão finalmente se tornaram insuportáveis demais, quando eu chegara ao ponto mais extremo da dor, minhas preces foram atendidas por meio de um ato de bondade e compreensão. Um amigo ligou na hora perfeita. Ele sabia que eu estava passando por algum problema difícil, mas não sabia que naquele exato momento eu estava escrevendo minha carta de despedida em meio a lentas e dolorosas lágrimas. Eu estava preparada para partir. Eu simplesmente não conseguia mais viver com a dor constante em meu coração.

Ele insistiu que eu não tinha que falar nada. Eu só tinha que ouvir. Então, por meio de minha exaustão e lágrimas, concordei relutantemente. Pelo telefone eu o ouvi começar a tocar sua guitarra, e então as palavras ‘starry, starry night’ da canção Vincent, de Don McLean, começaram a penetrar em meus ouvidos enquanto ele cantava para mim [...]. Minhas lágrimas caíram com mais força quando associei à canção, à sua tragédia e à sua dor a doce melodia que falava do próprio sofrimento de Vincent Van Gogh. Quando ele terminou, eu continuei a soluçar. [...]
Caindo no sono naquela noite, eu estava totalmente extenuada e emocionalmente exausta. Mas reconheci que, por meio da compreensão e das boas intenções de meu amigo, uma pequena luz-guia de esperança havia pelo menos sido reacendida”.

- Bronnie Ware em “Antes de partir - os 5 principais arrependimentos que as pessoas têm antes de morrer”, p. 180-181.