domingo, 24 de maio de 2020

CARTILHA: Suicídio na pandemia COVID-19

Pesquisadores colaboradores do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Cepedes/Fiocruz) disponibilizam a 16ª cartilha da série “Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Pandemia Covid-19”. A mais recente publicação tem como objetivo auxiliar profissionais de saúde a identificarem sinais de alerta e atuarem na prevenção do suicídio. O documento, elaborado em parceria com pesquisadores do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/Fiocruz) e do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, está disponível para download em: https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/05/cartilha_prevencaosuicidio.pdf.

Alguns trechos:

"Os impactos da pandemia de COVID-19 na saúde mental podem apresentar desde reações normais e esperadas de estresse agudo por conta das adaptações à nova rotina, até agravos mais profundos no sofrimento psíquico" (p. 02).

"Cabe lembrar que o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial e o possível aumento no seu número de casos, em uma situação de pandemia, pode estar relacionado a diferentes fatores como: medo, isolamento, solidão, desesperança, acesso reduzido a suporte comunitário e religioso/espiritual, dificuldade de acesso ao tratamento em saúde mental, doenças e problemas de saúde, suicídios de familiares, conhecidos ou profissionais de saúde (Reger, Stanley & Joiner, 2020). De forma geral, podemos entender que se a presença de um transtorno mental é identificada como um importante risco para o suicídio, o agravamento de seus sintomas em vigência da pandemia se configura como um risco ainda maior. Estressores financeiros e outros precipitadores de suicídio, como aumento do uso de álcool e outras drogas e violência doméstica, também tendem a se elevar neste momento de pandemia (GUNNELL et al., 2020)" (p. 03).

"As pessoas que perdem um ente querido por suicídio podem sofrer cobrança social, preconceito, estigma e discriminação. Os familiares também podem ficar apreensivos com a possibilidade de que um suicídio ocorra na família novamente. Sentimentos conflituosos sobre a perda podem aparecer e dificultar o processo de luto, como por exemplo, sentir raiva e ao mesmo tempo amor" (p. 13).

"Abaixo apresentamos um resumo das melhores práticas segundo a Cartilha da OMS (2017), do Ministério da Saúde (2017), do Instituto Vita Alere (2019) e da Orygen (2018): 
O que NÃO fazer: • Não destacar esse tipo de notícia (por exemplo, colocando na primeira página); • Não divulgar o lugar, a carta de despedida e o método utilizado no suicídio; • Colocar o suicídio como resultado único da pandemia; • Jamais compartilhar fotos ou vídeos de um suicídio; • Não romantizar ou falar como se fosse legal, um ato corajoso ou de covardia; • Não relacionar o suicídio com crime, loucura ou falta de fé; • Não colocar o suicídio como bem sucedido ou dar a entender que a pessoa encontrou a paz; • Não determinar um culpado ou um único motivo; • Não julgar, não fazer piadas ou estigmatizar; • Não mostrar o suicídio como uma saída.
O que fazer: • Compreender que o suicídio é complexo e multifatorial; • Sensibilizar as pessoas para o tema, gerando empatia; • Informar sempre onde buscar ajuda; • Lembrar dos que ficaram e respeitar o luto; • Usar e divulgar fontes de informação confiáveis; • Interpretar de forma cuidadosa e correta as estatísticas; • Ter um cuidado extra ao se tratar de suicídio de celebridades; • Se possível, falar das possíveis consequências físicas no caso de tentativas de suicídio não fatais; • Abordar os sinais de risco e alerta (mas sem reducionismos - identificar o risco pode ser algo complicado); • Mostrar que existe tratamento e que há outras alternativas ao suicídio" (p. 18-19).





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